Em 2012 a
poeta Helena Kolody (1912 – 2004)
completaria 100 anos. Nome ímpar no meio literário curitibano, a eterna
professora, cidadã honorária de Curitiba, tema de mestrado, surpreende quem a
lê pela primeira vez ou a relê pela enésima. Neste ano, em homenagem a esta
singela mulher das letras, vou publicar alguns dos seus mais belos poemas.
“Nasci no dia 12 de outubro de 1912, no
núcleo colonial de Cruz Machado, em pleno sertão paranaense. Eram 8 horas da
manhã de um dia de sol e geada.
Meus pais eram ucranianos, que se conheceram e casaram no Paraná. Eu sou
a primogênita e a 1ª. brasileira de minha família.
Miguel Kolody, meu pai, nasceu na parte da Ucrânia chamada Galícia
Oriental, em 1881. Tendo perdido o pai na grande epidemia de cólera que assolou
a Ucrânia em 1893, Miguel, no ano seguinte, emigrou para o Brasil com a mãe e
os irmãos.
Mamãe, cujo nome de solteira era Victoria Szandrowska, também nasceu na
Galícia Oriental, em 1892. Veio para o Brasil em 1911.
Vovô radicou-se em Cruz Machado, onde papai trabalhava. “Seu” Miguel
conheceu a jovem Victoria e apaixonou-se por ela. Casaram-se em janeiro de
1912.
Estava escrito o primeiro capítulo da minha história.”
1
Abismal - 1941
Meus olhos estão olhando
De muito longe, de muito
longe
Das infinitas distâncias
Dos abismos interiores.
Meus olhos estão a olhar do
extremo longínquo
Para você que está diante
de mim.
Se eu estendesse a mão,
tocaria a sua face.
Mas os cinco dedos pendem
como um lírio murcho
Ao longo do vestido.
Aqui tudo é leve,
silencioso, indefinido,
Imóvel.
Não tenho mais limites.
Tornei-me fluida como o ar.
Seus olhos têm apelos
magnéticos,
Mas estou abismada
Em profundezas infinitas.
ilustração: Joba Tridente - 2012

0 comentários:
Postar um comentário