sábado, 27 de setembro de 2014

Ipê Amarelo - Coletânea de Hai-Kais

O escritor José Marins vem editando, aqui em Curitiba, várias coletâneas de poemas curtos e ou hai-kai. Ipê Amarelo é a mais recente seleção organizada por ele. São 26 poemas de 26 autores. A edição é grátis. Acesse o link para a edição integral, em PDF, que traz os links das publicações anteriores, ao final da postagem. Confira três dos hai-kais selecionados.




Cai, riscando um leve
traço dourado no azul.
uma flor de ipê!
Masuda Goga


*
ipê-amarelo –
fica nos cabelos dela
a flor que caiu
José Marins


*
um após o outro
o vento penteia os cachos
do ipê-amarelo
Nete Brito


*
ilustração de Joba Tridente - 2014


*
José Marins: aprendiz de haijin (poeta de haicai).

sábado, 13 de setembro de 2014

Esopo: O Cão e a Máscara

3 fábulas de Esopo. 3 reflexões para o antes, o durante e o após eleições. 3 fábulas que se encontram no livro Fábulas de Esopo Ilustradas, tradução e adaptação de Carlos Pinheiro - Licença Creative Commons, 2012. O antes: A Pulga e o Camelo. O durante: O Rei dos Macacos e Dois Homens. O após: O Cão e a Máscara.



O Cão e a Máscara
Esopo

Procurando comida, um Cão encontrou a máscara de um homem muito bem-feita de papelão com cores vivas. Chegou-se então a ela e começou a cheirá-la para ver se era um homem que dormia. Depois empurrou-a com o focinho e viu que rebolava, e como não quisesse ficar quieta nem tomar assento, disse o Cão:
— Decerto que a cabeça é linda, mas não tem miolo.


Moral da História: A máscara representa o homem ou mulher que só se preocupa com o aspeto exterior e não procura cultivar a alma, que é muito mais preciosa. Notam-se nesta Fábula as pessoas que têm todo o cuidado com enfeites e cores supérfluas, formosas por fora, mas a cuja cabeça falta miolo.

*
Ilustração: Richard Heighway - 1894


Esopo, o grande fabulista grego, ainda hoje é uma grande incógnita. Não se sabe quando e onde (Samos? Sardes? Atenas?) nasceu, mas acredita-se que teria sido morto em Delfos em 620 a.C. Pelo que se conta, o mestre não teria palpos na língua e ancorado pelas suas fábulas atingia os grandes e os pequenos com seus julgamentos. Escravo, teria sido liberto por Jadmo de Samos e saiu pelo mundo: Egito, Babilônia, Ásia Menor. Apesar de deixar nada escrito, Esopo seria autor de, no mínimo, umas 400 fábulas, recontadas até hoje. Dos muitos autores que as recolheram o mais popular é o francês Jean de La Fontaine (1621-1695).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Esopo: O Rei dos Macacos e Dois Homens

3 fábulas de Esopo. 3 reflexões para o antes, o durante e o após eleições. 3 fábulas que se encontram no livro Fábulas de Esopo Ilustradas, tradução e adaptação de Carlos Pinheiro - Licença Creative Commons, 2012. O antes: A Pulga e o Camelo. O durante: O Rei dos Macacos e Dois Homens. O após: O Cão e a Máscara.
  


O Rei dos Macacos e Dois Homens
Esopo

Dois companheiros que caminhavam juntos pela floresta, acabaram por se perder. Depois de andarem muito, chegaram à terra dos Macacos. Foram logo levados ao rei, que, mal os viu, lhes perguntou:
— Na vossa terra e nessas que atravessastes, o que se diz de mim e do meu Reino?
Respondeu um dos homens:
— Dizem que sois um grande Rei de gente sábia e culta.
O outro, que gostava de dizer a verdade, respondeu:
— Toda a vossa gente são macacos irracionais, logo o rei também é um macaco. 
Ouvindo isto, o Rei ordenou que matassem este, e que ao primeiro oferecessem presentes e o tratassem muito bem.


Moral da História: Verifica-se nesta Fábula o que diz Terêncio, que a verdade causa ódio e o elogio ganha amigos. Com um Rei ignorante não há sábios nem virtuosos, apenas chocarreiros e aduladores. Daqui resulta que frequentemente os bons são rebaixados e obedecem aos maus, que o Rei Macaco tem ódio a quem o desengana, e que o que mente, como aqui fez o primeiro companheiro, é favorecido.

*
Ilustração: Steinhowel - 1479


Esopo, o grande fabulista grego, ainda hoje é uma grande incógnita. Não se sabe quando e onde (Samos? Sardes? Atenas?) nasceu, mas acredita-se que teria sido morto em Delfos em 620 a.C. Pelo que se conta, o mestre não teria palpos na língua e ancorado pelas suas fábulas atingia os grandes e os pequenos com seus julgamentos. Escravo, teria sido liberto por Jadmo de Samos e saiu pelo mundo: Egito, Babilônia, Ásia Menor. Apesar de deixar nada escrito, Esopo seria autor de, no mínimo, umas 400 fábulas, recontadas até hoje. Dos muitos autores que as recolheram o mais popular é o francês Jean de La Fontaine (1621-1695).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Esopo: A Pulga e o Camelo

3 fábulas de Esopo. 3 reflexões para o antes, o durante e o após eleições. 3 fábulas que se encontram no livro Fábulas de Esopo Ilustradas, tradução e adaptação de Carlos Pinheiro - Licença Creative Commons, 2012. O antes: A Pulga e o Camelo. O durante: O Rei dos Macacos e Dois Homens. O após: O Cão e a Máscara.



A Pulga e o Camelo
Esopo

Pôs-se uma Pulga em cima de um Camelo carregado, e deixou-se ir em cima da carga durante a jornada, no fim da qual saltou abaixo e, sacudindo-se, disse:
— Ainda bem que desço, porque tinha pena de ti; agora irás leve com pouca carga.
O Camelo riu-se deste cumprimento e respondeu:
— Nunca senti que te levava em cima, nem tu podes carregar-me nem aliviar-me, pois não tens peso para isso. A carga que eu levo, essa sinto. Tu não tens peso para te sentirem.


Moral da história: Há homens leves como pulgas que, por se mostrarem de muita importância e íntimos de senhores, não fazem senão entrar e sair de suas casas e tomam a mão a outros, que vão como os Camelos carregados de negócios, somente para meterem na cabeça de quem sabe pouco deles que são tidos em conta ou que prestam para alguma coisa.

*
ilustração de Joba Tridente – 2014


Esopo, o grande fabulista grego, ainda hoje é uma grande incógnita. Não se sabe quando e onde (Samos? Sardes? Atenas?) nasceu, mas acredita-se que teria sido morto em Delfos em 620 a.C. Pelo que se conta, o mestre não teria palpos na língua e ancorado pelas suas fábulas atingia os grandes e os pequenos com seus julgamentos. Escravo, teria sido liberto por Jadmo de Samos e saiu pelo mundo: Egito, Babilônia, Ásia Menor. Apesar de deixar nada escrito, Esopo seria autor de, no mínimo, umas 400 fábulas, recontadas até hoje. Dos muitos autores que as recolheram o mais popular é o francês Jean de La Fontaine (1621-1695).

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Hans Christian Andersen: O Livro Mudo

Do grande mestre literário Hans Christian Andersen, Só A Pura Verdade e O Livro Mudo. Dois fascinantes e pertinentes contos que alinham comunicação e conhecimento. Fofoca e reflexão midiática sobre o mundo ao nosso redor. Arte da contemplação do mundo ao nosso redor. Ontem você saboreou a verdade. Hoje, quede mudo.



O Livro Mudo
Hans Christian Andersen

Junto à estrada, no meio do bosque, havia uma quinta solitária. Entrava-se pelo portão, até ao terreiro banhado pelo Sol e com todas as janelas abertas. Havia vida e movimento lá dentro, mas no pátio, numa ramada de lilases florescentes, estava um caixão aberto. O morto fora colocado ali porque naquela manhã ia ser enterrado. Ninguém o olhava com lamentações, ninguém o chorava. O seu rosto estava coberto com um pano branco e sob a sua cabeça fora colocado um livro grande e espesso, cujas folhas, soltas, eram de papel cinzento e entre cada uma delas estavam, guardadas e esquecidas, flores fanadas, todo um herbário colhido em lugares diferentes. Devia ir para a sepultura também, porque o tinha pedido o próprio falecido. A cada flor estava ligado um capítulo da sua vida.

- Quem é o morto? - perguntamos nós, e a resposta foi: o velho estudante de Uppsala! Tinha sido diligente. Tinha conhecido a linguagem dos sábios, tinha sabido cantar, sim, e também escrever canções, disse-se, mas algo se lhe atravessou no caminho. Lançou-se a si mesmo e aos seus pensamentos à aguardente, e quando a saúde disso se ressentiu, veio para aqui, para o campo, onde lhe pagaram as despesas. Era devoto como uma criança, mas, quando o espírito negro o dominava, corria como um animal acossado pela floresta. Se conseguíamos levá-lo para casa e pô-lo a ver o livro com as plantas secas, ficava sentado, todo o dia, a olhar para uma planta e para outra. Muitas vezes corriam-lhe lágrimas pelas faces abaixo. Sabe Deus o que pensava! Mas ele pediu o livro para o acompanhar no caixão e ele ali estava. Dentro de pouco tempo a tampa seria pregada e receberia, finalmente, a sua doce paz na sepultura.

Levantaram a mortalha. No rosto do morto havia paz e um raio de Sol tombou sobre ele. Uma andorinha disparou, no seu voo veloz de flecha, para dentro da ramada e deu uma volta, chilreando, sobre a cabeça do morto.

Como é maravilhoso - conhecemo-lo certamente todos -, quando pegamos em velhas cartas do nosso tempo de juventude e as lemos, emerge toda uma vida com todas as suas esperanças e todas as suas mágoas. Quantos dos seres com quem vivemos tão intimamente estão agora como mortos para nós e, contudo, vivem ainda, mas não pensamos por longo tempo neles, naqueles a quem outrora supusemos estar sempre ligados, participando reciprocamente de dores e alegrias.

A folha fanada do carvalho, no livro, recorda aqui amigos, amigos do tempo da escola, amigos para toda a vida. No bosque verde, ele prendeu esta folha no barrete de estudante, quando o pacto ficou firmado para toda a vida. — Onde vive agora? Folha guardada, amizade olvidada! Aqui está uma estranha planta de estufa, demasiado fina para os bosques do Norte - é como se houvesse ainda alguma umidade nesta folha! Foi a donzela que lha deu, aquela estranha planta, colhida em jardim da nobreza. Aqui está o nenúfar, ele próprio o colheu e regou com lágrimas salgadas, nenúfar de água doce. E aqui está uma ortiga. Que dizem as suas folhas? Que pensou ao colhê-la, ao guardá-la? Aqui está um lírio-do-vale da solidão do bosque, aqui está uma madressilva do pote de plantas da sala do albergue e aqui a folha de relva, cortante e nua!

Os lilases florescentes inclinam cachos frescos e perfumados sobre a cabeça do morto - a andorinha passa a voar outra vez: «Quevivi! Quevivi!» Agora vêm os homens com pregos e com martelo, colocam a tampa sobre o morto, onde repousa a cabeça sobre o livro mudo.

Guardado - esquecido!

*
Ilustração de Joba Tridente - .2014


Hans Christian Andersen nasceu em Odense, 1805, e morreu em Copenhague, 1875. O notório escritor dinamarquês teve uma infância pobre, mas enriquecida com as histórias que seu pai, humilde lhe contava, encenando com bonecos. Após a morte do pai, fugiu de casa e aos 14 anos começou a trabalhar no Teatro Real, em Copenhague, onde fez de tudo um pouco: ator, corista, bailarino, autor. A maior parte de seus estudos foi financiada pelo diretor de teatro Jonas Collin. Entre outras obras, publicou: O Improvisador (1835), Nada como um menestrel  (1837), Livro de Imagens sem Imagens  (1840), O romance da minha vida (autobiografia em dois volumes, 1847). Ganhou renome com os contos (Histórias e Aventuras) para o público infantojuvenil, publicados de 1835 a 1872. Há farto material biográfico na web sobre o grande mestre.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Hans Christian Andersen: Só A Pura Verdade

Do grande mestre literário Hans Christian Andersen, Só A Pura Verdade e O Livro Mudo. Dois fascinantes e pertinentes contos que alinham comunicação e conhecimento. Fofoca e reflexão midiática sobre o mundo ao nosso redor. Arte da contemplação do mundo ao nosso redor. Saboreie a verdade, hoje. E quede mudo, amanhã.



Só A Pura Verdade
Hans Christian Andersen

Que coisa horrível! - disse uma Galinha, no outro extremo da cidade, bem longe do bairro onde a história se passara - é horrível o que houve no galinheiro! Nem arrisco a dormir sozinha esta noite. Ainda bem que somos muitas no poleiro.
E passou a contar o ocorrido, fazendo arrepiar as penas das outras galinhas, a cair a crista do Galo. E era tudo verdade, só a pura verdade.
Mas vamos começar do começo, que ocorreu no extremo oposto da cidade.
O Sol desceu e as galinhas subiram. Uma delas, de penas brancas, e pernas curtas, punha os ovos regulamentares e, como galinha, era respeitável em todos os sentidos. Chegada ao poleiro, começou a catar-se com o bico. Caiu ao chão uma peninha.
- Lá se foi uma pena! - disse ela - parece que, quanto mais me cato, tanto mais bonita vou ficando - acrescentou, por brincadeira, pois era ela o espírito mais alegre da galinhada, embora fosse, conforme já foi dito, criatura de todo o respeito. E logo adormeceu.
Era escuro ao redor. As galinhas estavam enfileiradas, lado a lado, e a que lhe estava mais próxima não dormia. Ela ouviu, e ao mesmo tempo não ouviu, como convém, para se viver em paz neste mundo. Mas teve, assim mesmo, de confiar à outra vizinha o que ouvira.
- Ouviste o que foi dito aqui! - cochichou - não vou dizer o nome de ninguém, mas há aqui uma Galinha que quer arrancar as próprias penas para ficar bonita. Se eu fosse Galo, a desprezaria.
Logo adiante, pouco acima das galinhas, estava pousada a Coruja, com o Corujão e as corujinhas. Naquela família, sim, todos tinham bons ouvidos. Ouviram cada palavra dita pela Galinha. Viraram os olhos e dona Coruja abanou-se com as asas.
- É feio escutar o que dizem os outros! - começou ela - mas, naturalmente, todos ouviram o que disse a Galinha. Eu o ouvi com os meus próprios ouvidos, e deve-se escutar, antes que caiam as orelhas. Uma das galinhas esqueceu a tal ponto a decência, que está tirando todas as penas e deixa o Galo ver tudo.
- Prenez garde aux enfants! - disse papai Corujão - isso não é conversa para crianças ouvirem.
- Preciso contar o caso à coruja vizinha, senhora séria e respeitável.
Dona Coruja saiu voando.
- Hu-hu! Uhu-uhu-uhu! - riram as duas, juntas, pouco depois.
Achavam-se um pouco acima do pombal do vizinho, e as pombas ouviram-nas comentar o caso:
- Ouviram esta? Ouçam, que esta é muito boa! Há aí uma Galinha que arrancou todas as penas por causa do Galo! Vai morrer de frio, se é que já não morreu. Huuu - huuuu!
- Onde? Onde? Onde? - arrulharam as pombas.
- No galinheiro do vizinho. É como se eu mesma o tivesse visto. É coisa que quase nem se devia contar, pois é um tanto indecente. Mas é a pura verdade!
- Ora, ora, ora! - arrulharam de novo as pombas.
E passaram a história adiante.
- Há uma Galinha - há quem diga que são duas - que arrancou todas as penas para não ser igual às outras e chamar a atenção do Galo. É uma brincadeira arriscada, pois apanhar um resfriado é o que há de mais fácil, e morrer de febre é o que menos custa. De fato, já morreram, as duas...
- Acordem! Acordem! cantou o Galo, voando para o alto do cercado.
O sono ainda lhe pesa nos olhos, mas apesar disso ele cantava:
- Morreram três galinhas, de infeliz paixão por um Galo. Elas arrancaram todas as penas. É uma história muito feia, não quero guardá-la comigo. Que vá adiante!
- Deixa que vá adiante - piaram os morcegos.
- Deixa que vá! Deixa que vá! - cacarejaram as outras galinhas.
A história foi assim circulando, de galinheiro em galinheiro, e, por fim, voltou ao local de onde viera.
- São cinco galinhas - contavam - todas arrancaram as penas para mostrar qual delas tinha emagrecido mais de paixão pelo Galo. Depois brigaram, de tirar sangue, e se mataram de bicadas. Ficaram mortas no terreiro. Foi uma ignomínia para a família delas, e um grande prejuízo para o dono do galinheiro.
Então, a galinha que perdera uma única peninha, ao catar-se não reconheceu a sua própria história, e como fosse uma galinha respeitável, disse lá com os seus botões:
- Desprezo as galinhas como essas. Mas não serão as últimas. Há muitas mais dessa marca. Não se deve silenciar sobre tais coisas. Farei o que eu puder para que essa história saia nos jornais e corra o país todo. É o que merecem essas galinhas e também a família delas.
E a história saiu nos jornais, foi impressa, e uma coisa é verdadeira: uma única peninha pode facilmente transformar-se em cinco galinhas.

*
Ilustração de Joba Tridente - 2014


Hans Christian Andersen nasceu em Odense, 1805, e morreu em Copenhague, 1875. O notório escritor dinamarquês teve uma infância pobre, mas enriquecida com as histórias que seu pai, humilde lhe contava, encenando com bonecos. Após a morte do pai, fugiu de casa e aos 14 anos começou a trabalhar no Teatro Real, em Copenhague, onde fez de tudo um pouco: ator, corista, bailarino, autor. A maior parte de seus estudos foi financiada pelo diretor de teatro Jonas Collin. Entre outras obras, publicou: O Improvisador (1835), Nada como um menestrel  (1837), Livro de Imagens sem Imagens  (1840), O romance da minha vida (autobiografia em dois volumes, 1847). Ganhou renome com os contos (Histórias e Aventuras) para o público infantojuvenil, publicados de 1835 a 1872. Há farto material na web sobre o escritor.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Alvaro Posselt: Hai-Kais - III

Na adolescência encontrei na estante de livros de meu tio Elber Borges, um livro de Hai-Kais do Millôr Fernandes (1923-2012). Não tinha ideia de que eram poemas. Achava que eram textos de humor do mestre. Adorei! Na década de 1990, quando me mudei para Curitiba, reencontrei o Hai-Kai em Leminski, Wilson Bueno, Helena Kolody. Pesquisei, exercitei, orientei oficinas de poema curto para crianças e adultos desde a década de 1990. Mas tudo sem compromisso, já que o português me parece prolixo demais para essas miudezas orientais.

No Brasil, não conheço quem se compare a Millôr Fernandes na fazedura do Hai-Kai. Leminski chegou perto. Alvaro Posselt é um escritor curitibano que vem se dedicando com sucesso a essa preciosa arte poética. Selecionei seis poemas do seu livro Um Lugar Chamado Instante (2013). Confira a terceira postagem: Hai-Kais - I e Hai-Kais - II.


V

Que batalha longa
É ferro que bate em ferro
o som da araponga




VI

Prato predileto
A teia ricocheteia
o voo do inseto


*
ilustração de Joba Tridente.2014


Alvaro Posselt nasceu em Curitiba. É professor de português e escritor. Orienta oficinas de hai-kai em escolas públicas e tem poemas e minicontos publicados em revistas, jornais e coletâneas. Lançou Tão breve quanto o agora, em 2012, e, na sequência, Um Lugar Chamado Instante (2013). Seus livros estão à venda nas livrarias de Curitiba e na Barraca dos Autores, aos sábados, na Boca Maldita, e aos domingos, no Largo da Ordem.

Para mais informações, contato e troca de ideias com Alvaro Posselt, email-lhe: alvaroposselt@yahoo.com.br.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Alvaro Posselt: Hai-Kais - II

Na adolescência encontrei na estante de livros de meu tio Elber Borges, um livro de Hai-Kais do Millôr Fernandes (1923-2012). Não tinha ideia de que eram poemas. Achava que eram textos de humor do mestre. Adorei! Na década de 1990, quando me mudei para Curitiba, reencontrei o Hai-Kai em Leminski, Wilson Bueno, Helena Kolody. Pesquisei, exercitei, orientei oficinas de poema curto para crianças e adultos desde a década de 1990. Mas tudo sem compromisso, já que o português me parece prolixo demais para essas miudezas orientais.

No Brasil, não conheço quem se compare a Millôr Fernandes na fazedura do Hai-Kai. Leminski chegou perto. Alvaro Posselt é um escritor curitibano que vem se dedicando com sucesso a essa preciosa arte poética. Selecionei seis poemas do seu livro Um Lugar Chamado Instante (2013). Confira a segunda postagem.


III

Chuva de verão -
Me saúda com um pingo
a nova goteira



IV

Vai trôpego o bêbado –
Na mão um ramo de hibisco
pra se segurar


*
ilustração de Joba Tridente.2014


Alvaro Posselt nasceu em Curitiba. É professor de português e escritor. Orienta oficinas de hai-kai em escolas públicas e tem poemas e minicontos publicados em revistas, jornais e coletâneas. Lançou Tão breve quanto o agora, em 2012, e, na sequência, Um Lugar Chamado Instante (2013). Seus livros estão à venda nas livrarias de Curitiba e na Barraca dos Autores, aos sábados, na Boca Maldita, e aos domingos, no Largo da Ordem.

Para mais informações, contato e troca de ideias com Alvaro Posselt, email-lhe: alvaroposselt@yahoo.com.br.

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