segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Joba Tridente: laMal


..., mais uma tragédia se abateu por entre as montanhas de Minas Gerais, no Brasil. agora, na aprazível Brumadinho..., e aos moldes daquela ocorrida sobre a bucólica Bento Rodrigues, no município de Mariana, em 2015, quando toneladas de resíduo tóxico vazaram dos reservatórios da mineradora Vale (ex Vale do Rio Doce), destruindo tudo pela frente. ..., até o momento desta postagem, não se sabe exato o número de mortos encontrados e mortos desaparecidos (enterrados vivos!). assim, nesse atordoo, escrevi laMal.

                 
                

laMal
joba tridente

nas Minas Gerais
homens caducos
cavucam minérios
revolvem mistérios
do solo, das pedras,
que minam
que afloram na terra
                        violada
ao sol e às estrelas
por um palmo de riqueza
                                 capital

no imediatismo
das bolsas
       das poças
              dos resíduos
aprisionados na ganância
de um hoje MEU
sem amanhã para os TEUS
..., mais um crime ambiental
  nas montanhas dilapidadas
                        de Brumadinho
      prenunciado em Mariana

não mais bruma
nas brumadinhas manhãs
não mais cantos de pássaros nos pomares
latidos e miados nas varandas
galos e galinhas nos quintais
nada de gado nos pastos
nada de porcos nos currais
nada de peixes nos rios
..., não mais pomares, varandas, quintais,
                                      pastos, currais e rios
: na paisagem outrora verde
  o barro desdenha o velho horizonte
 
não mais café coando na cozinha
leite fervendo no fogão a lenha
pão assando no forno caipira
hortaliça fresca sobre a mesa
não mais pouso
não mais alvoroço
não mais cantoria
de aves nas manhãs e tardes
de Brumadinho
..., não mais o terço das seis

a lama levou
a alma de tudo
que encontrou no caminho
..., até de gente!
: de MUITA gente!

ao sul do país
não me alcança a lama
apenas a dor
que sei
não se compara
à dor dos que ficaram
                  sem os seus
que mesmo que chova a cântaros
jamais será lavada
                      jamais será levada
                                            para longe dali...

*
poema.ilustração.jobatridente.27.01.2019



Joba Tridente, um livre pensador livre. artesão de imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Ana María Pedernera: La Misma Araña - 2


São muitos os autores vivos ou mortos, brasileiros e estrangeiros, que gostaria de publicar por aqui..., mas me falta tempo para pesquisa, seleção e ilustração das obras. Espero, em 2019, ser mais assíduo. Nem que faça postagens mais compactas.

Nessa retomada, é com imenso prazer que apresento, em duas postagens, seis preciosos poemas (em espanhol) da admirável Ana María Pedernera, a premiada escritora argentina que conheci ao compartilhar postagens literárias do Falas ao Acaso na comunidade G+..., onde fui apresentado a outros grandes autores, que desejo, em breve, publicar também por aqui. Nossa amizade virtual (ou digital) começou com seus pertinentes comentários a diversos autores brasileiros de sua admiração e apresentação de alguns de seus belos poemas via email.

A meu convite de publicação no Falas ao Acaso, Ana Pedernera respondeu enviando alguns poemas presentes em seu mais recente livro: La Misma Araña (Editorial el suri porfiado, Buenos Aires, 2018), que traz um excelente prologo do escritor e jornalista argentino Jorge Boccanera, do qual, pela extensão, publicarei apenas dois trechos (em espanhol)…, um ontem e outro hoje, abrindo a publicação:

“Como quedó dicho al inicio de la nota, la poeta resuelve la carga afectiva con las palabras apropiadas, una modulación serena lejos de cualquier alarmismo, clamores lastimeros u otros fuegos de artificio de la altisonancia. Dice, observa y se dice en su poesía, porque habita en el centro de su relato y habla desde un “desaliento herido”, entre “los agujeros largos de las horas” y “los niños adoptivos de sus versos”. En esa línea se emparenta con grandes poetas de nuestra América como Gabriela Mistral y Alfonsina Storni, pero más con aquellas surgidas en los ’40 - una generación relumbrante de poetas mujeres en esta parte del continente - como Idea Vilariño y Rosario Castellanos. Así, La misma araña se cruza con Los nocturnos de la poeta uruguaya y con De la vigilia estéril de la poeta más importante de México. (…) Este nuevo libro de Pedernera constata una voz afianzada que se debate entre vientos contrarios y nos advierte que vivimos tironeados entre el silencio del mar y “la tierra que nos habla”.” Jorge Boccanera 


               
LA FRUTA
Ana María Pedernera

Advertí que le gustaban las frutillas
porque compró un cajón al borde del trayecto
y me cedió un puñado generoso
(para más precisión, la cuarta parte).
Cuando las llevé a mi mesa
aderezadas con licor y azúcar,
no fueron lo dulce que me prometían.
Y recordé el instante de su gozo
al saborearlas
así como salieron de la quinta:
bruñidas en la manga del pulóver.
Vi esas fauces abiertas,
listas a reventar el alma de la fruta.
Ese día supe que mi corazón
tiñó su boca.


           
EL CAMINO DE HORMIGAS
Ana María Pedernera

Un camino de hormigas
se encuentra en cualquier parte
puede partir desde el jazmín del cabo
rodear el limonero
alargarse hasta el olmo
luego acechar el tallo de una rosa
perderse más allá de los confines
de nuestro territorio.
Hay uno que transcurre frente al muro del fondo
interrumpe el trayecto y lo traspasa.
Es posible seguirlo con la vista
unos diez metros más
después se pierde
a no ser que aparezca al frente de la casa
esa fila de obreras
que circundó la tierra y arrastra su cansancio
como único vestigio del éxodo elegido.
Irse y volver siempre en hilera
a trabajar silencios
como hormigas.


                 
TREGUA
Ana María Pedernera

Ahora hay que decirle al corazón:
venga a sentarse, tómese un respiro,
latió como pocos para nada,
se animó a insistir como ninguno,
se ha ganado un lugar de privilegio
en el amplio abandono de otra sangre.
No entendieron su oscilación extrema;
el diástole y el sístole respondían
más que a la mecánica, al pertinaz ensayo
de perdurar.
Ahora hay que indicarle que se aquiete;
un corazón hay que late lento
(para no hacerse oír)
y nunca hará un esfuerzo como el suyo,
porque cree natural el desabrigo.
Venga a sentarse aquí, lejos de todo,
lejos de él;
ya tuvo el privilegio de habitar
en el amplio abandono de su sangre.

*
ilustrações: joba tridente.2019


Ana María Pedernera é escritora de verso e prosa. Nasceu em Del Carril, Partido de Saladillo, província de Buenos Aires (15.02.1956), e reside em Lobos, província de Buenos Aires, Argentina, onde lecionou História e Ciências Sociais. Ana publicou os livros de poesia Hay que morirse menos de distancia (Editora Vinciguerra, Buenos Aires, 2004); Balada de la habladora (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2006); Ensayo sobre la angustia (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2009); Pampa Mar (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2014); La misma araña (Editorial El suri porfiado, Buenos Aires, 2018)…, e recebeu, entre outros, os prêmios: Mención Especial de Poesia en Lengua Española,  em los Jéux de la Latinité, Avignon, França (1978); Primer Premio en Cuento, no IX Concurso Internacional Hespérides de la ciudad de La Plata, por sua obra Relatos tan breves como posibles (2011); 2° Premio de Poesía Inédita León Benarós, da Fundación Argentina para la Poesía, por seu livro Informes de concurrente (2016).
    
Para saber mais, acesse: Poetas Siglo XXI - Antologia Mundial: Ana María Pedernera; letras my site: Muestra Poética.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Ana María Pedernera: La Misma Araña - 1


São muitos os autores vivos ou mortos, brasileiros e estrangeiros, que gostaria de publicar por aqui..., mas me falta tempo para pesquisa, seleção e ilustração das obras. Espero, em 2019, ser mais assíduo. Nem que faça postagens mais compactas.

Nessa retomada, é com imenso prazer que apresento, em duas postagens, seis preciosos poemas (em espanhol) da admirável Ana María Pedernera, a premiada escritora argentina que conheci ao compartilhar postagens literárias do Falas ao Acaso na comunidade G+..., onde fui apresentado a outros grandes autores, que desejo, em breve, publicar também por aqui. Nossa amizade virtual (ou digital) começou com seus pertinentes comentários a diversos autores brasileiros de sua admiração e apresentação de alguns de seus belos poemas via email.

A meu convite de publicação no Falas ao Acaso, Ana Pederneiras respondeu enviando alguns poemas presentes em seu mais recente livro: La Misma Araña (Editorial el suri porfiado, Buenos Aires, 2018), que traz um excelente prologo do escritor e jornalista argentino Jorge Boccanera, do qual, pela extensão, publicarei apenas dois trechos (em espanhol)…, um hoje e outro na próxima postagem, abrindo a publicação:

“Monólogo de la hilandera: Una hilandera de ocho patas teje la seda del desamparo, la rutina y lo efímero en La misma araña, el nuevo libro de la poeta Ana María Pedernera. El título remite a una aflicción conocida; la repetida, o sea, la de siempre; aquella que arma minuciosa una red que es al mismo tiempo camino de vida y trampa para la cacería. Metáfora al fin de una urdimbre tensionada simultáneamente por elementos opuestos; dedos que avanzan en el entramado al tiempo que otros dedos destejen; son el anhelo y la desilusión pendiendo de la misma malla. / El relato de este proceso de marchas y contramarchas a cargo de la autora, llega en un decir pausado. Su voz, lejos de la queja y el sobresalto, ubica el tono justo para dar cuenta de los matices, los claroscuros de su emotividad. (…) Desde su primer libro, Hay que morirse menos de distancia, Ana María viene martillando (…) dentro de una constelación de asuntos que orbitan alrededor del amor, el tiempo, las bondades y limitaciones de la palabra poética, el paraíso perdido y los días calcados en un pueblo que se desdibuja en la vastedad de la llanura.Jorge Boccanera 
  
       
         
CONTRADICHO
Ana María Pedernera
                  
Al dicho popular “El buey solo bien se lame”

Acepto las sentencias populares,
menos ésta;
es que la lengua no alcanza
a dar la vuelta
y la espalda se queda
sin abrazo;
es que la agria saliva es poca cosa
para humedecer todo el contorno.
Bovina soledad la que me aflige:
si voy al sur me balan sus terneros;
si al norte voy, la tropa se reniega.
El buey precisa como yo preciso
una cornada atroz de compañía.


               
VISITA A LA CASA
Ana María Pedernera

Era la misma traza del camino de tierra
ya no estaban los árboles
las chapas de barrera que atajaban hormigas en los álamos,
después de haber servido
para frenar la plaga de langostas
(no fue la peor plaga que debimos sufrir
luego hubo una que decidió quedarse
y no existió manera de extirparla).
Allí estaba la casa
y no la vio mi madre (ya no podía verla),
pero me vi con ella en una siesta en medio del potrero
arreando ese ganado de otra gente
montada en una yegua que de arisca
sólo tenía la pelambre.
Me vi con ella en esa siesta
cuando aún ignoraba
que iría a cabalgar la vida
completamente sola.


         
RESPUESTA A CONSTANTINO CAVAFIS
Ana María Pedernera

Sé lo que has dicho Constantino:
que es imposible;
que no hay ciudad que pueda abandonarse;
que ésta en que vivo irá donde yo vaya
sin importar distancia o punto cardinal
hacia donde el cuerpo avance;
que la desolación estará en cada metrópoli
y la ruina será introducida en el morral
como una prenda más.
Ya sé Cavafis que
te tomó el horror antes que a mí
con una mano que tira de las ropas
y nos vuelve hacia atrás sin miramiento.
Lo sé y no lo discuto Constantino,
pero también es cierto que en cada amanecer
busco una urbe
que se abra con sus brazos de argamasa
en gesto de rodear
el desamparo que le estoy llevando.

*
ilustrações: joba tridente.2019


Ana María Pedernera é escritora de verso e prosa. Nasceu em Del Carril, Partido de Saladillo, província de Buenos Aires (15.02.1956), e reside em Lobos, província de Buenos Aires, Argentina, onde lecionou História e Ciências Sociais. Ana publicou os livros de poesia Hay que morirse menos de distancia (Editora Vinciguerra, Buenos Aires, 2004); Balada de la habladora (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2006); Ensayo sobre la angustia (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2009); Pampa Mar (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2014); La misma araña (Editorial El suri porfiado, Buenos Aires, 2018)…, e recebeu, entre outros, os prêmios: Mención Especial de Poesia en Lengua Española,  em los Jéux de la Latinité, Avignon, França (1978); Primer Premio en Cuento, no IX Concurso Internacional Hespérides de la ciudad de La Plata, por sua obra Relatos tan breves como posibles (2011); 2° Premio de Poesía Inédita León Benarós, da Fundación Argentina para la Poesía, por seu livro Informes de concurrente (2016).
    
Para saber mais, acesse: Poetas Siglo XXI - Antologia Mundial: Ana María Pedernera; letras my site: Muestra Poética.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Joba Tridente: inventário brasil


... nas palavras que me vêm: recordo e antecipo. nas palavras que me veem: escancaro o veredicto. é da minha natureza re.clamar. nasci assim: catártico! ilumino coxias ou apago palcos. inventário brasil foi se fazendo entre dezembro de 2017 e janeiro de 2019.

                  

inventário brasil
joba tridente

I
..., às vésperas do fim
                         de 2017
crianças pobres apedrejaram
um papai noel voluntário
em vez de um político salafrário

: os pequenos da periferia queriam
mais balas do que o velhinho
do natal tinha no saco para dar

: os bandidos do planalto central
                               sempre querem
mais grana do que o povo otário
tem pra engordar seus bornais


II
..., às vésperas do fim
                        de 2018
um político caquético
vazando maquiavelhices
e ciente de sua nulidade
deu adeus às cadeiras palacianas
que as suas nádegas acolheram
                                     magricelas

: uma semiautoridade...,
                          esquecida
           entre teias de aranha
           e poeira de maledicência
na sala dos fundos do palácio
cansada de ser bibelô de louça barata
no porta-troços cerimonioso
na mesa de serviçais fantasmas
virou vaso de porcelana
na mesa de oficiais vistosos
onde também assentam
                                  ratos
peçonhentos em trajes de grife
.................................................., deu adeus
                                                           sem nunca ser bem-vinda
                                                           na presidência de ocupação

: a hiena que serviu o prato
                                venenoso
para o povo que não a elegeu
mas engoliu a discórdia partidária
cagando rupturas sociais
saiu à francesa e gargalhando
para as dispersões colaterais

: o tempo urge
e seu corpo débil
viciado em branduras
                  e falcatruas
terá de suportar a dureza
                               do catre
se justiça aos seus lapsos
                          não tardar
e se fizer nessa terra
           de bananeiras
judicialmente manipuladas
           para produzir cachos
           de supremos chabus


                     III
..., no pipocar do ano novo
na cabeceira da capital
perdeu-se direitos
perdeu-se o espírito da lei
                   no balaio de ratos palacianos
                   com sua hipócrita idiossincrasia

..., na rabeira da capital
perdeu-se a justiça
                   no charco da carniça        
perdeu-se o respeito ao cidadão
                   na cegueira oportuna dos manipuladores
                                                                              políticos
perdeu-se a mídia                
                   vingou o boato
                   e as falsas notícias
                   ganhou alarde a verdade fictícia
perdeu-se a razão
                   no senso político dos ismos e istas
                   radicalizado no cinismo da (i)moral partidária
                   com sua idiossincrasia hipócrita
perdeu-se o tempo
                   com uma política que não convém


           IV
: ontem...,
  crianças ao mendigar balas doces
  apedrejaram um papai noel voluntário
  se amanhã mendigarem balas de metal...
  ...................................................................
 
  *
  ilustração.joba.tridente.2019
                                                

Joba Tridente, um livre pensador livre. artesão de imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

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