quinta-feira, 17 de maio de 2018

Francisco Cenamor: Islas


No dia 21 de março de 2017, em comemoração ao Dia da Poesia, o escritor espanhol Francisco Cenamor disponibilizou gratuitamente, por meio do seu blog asamblea de palabras, onde publica diariamente obras de poetas de todo o mundo, a edição digital (em PDF) do livro Restos de naufragio, que traz uma interessante compilação de seus poemas publicados entre 1997 e 2007.

Para Cenamor, a ideia deste resgate literário é o de fazer coincidir dois aspectos da sua trajetória poética: a presença de uma voz forte e heterogênea e a obsessão por aprender. Para tanto, a edição conta com textos reescritos e também por aqueles que se perderam pelo caminho (poético)..., divididos em breves opúsculos. Em Pecios estão poemas publicados nos livros En el océano (textos que partem da dor de mirar o mundo), En el mar (textos onde a dor provem da vivência do amor), e Islas (fragmentos de poemas descartados do livro poemillas). Ánforas ocultas traz poemas inéditos em livro, bem como alguns Islas (fragmentos, poemas curtos). El livro de Raquel trata da admiração da beleza..., com profundo teor religioso e místico (no formato gráfico dos textos bíblicos). Gotas en el agua agrega textos poéticos escritos para peças teatrais breves, encenadas principalmente por universitários.

Em declaração publicada no site las afinidades electivas, sobre a sua arte literária, o escritor espanhol disse: Mi poesía es similar a la del bardo de Astérix, aunque espero ser menos pesado. Observo el mundo que me rodea, sobre todo a las personas, me empapo de su realidad, sus sentimientos, sus pasiones, sus sufrimientos, sus esperanzas y alegrías, los paso por el tamiz de la persona que soy yo mismo y los devuelvo convertidos en belleza. O al menos esa es la pretensión. Cuando hablo de mi mismo me pienso más allá, como perteneciendo a un todo que no me pertenece. Utilizo un lenguaje llano y directo pero con pretensiones espirituales y trascendentes. Me encasillan como poeta social, pero estoy exento de ideología en mis poemas, tan solo me acerco, como imperativo humano, a las personas que sufren por diversos motivos. Mi referente poético principal es César Vallejo, pero he crecido también con San Juan de la Cruz, Mario Benedetti, Juan Gelman, José Agustín Goytisolo, Luis Luna, y muchos otros.

Para sete publicações no Falas ao Acaso selecionei apenas poemas presentes em Pecios: quatro do livro En el océano; seis poemas curtos dos três Islas e dois do Ánforas ocultas. Comecei com os dissabores de Propina e segui com o desconcertante Un cadáver viaja sinpapeles e a aflição em Palestina yel bumerán e a melancolia de Niños yniñas. Hoje é o lúdico e o bucólico dão voz e leveza a Islas. Uma vez que não me pareceu difícil compreender a língua espanhola, optei por não traduzir (inda que sem compromisso) os poemas. Creio que apenas uma ou outra palavra em espanhol levará o leitor a um dicionário bilíngue e ou tradutor do Google.


                  
                 
Pecios

Islas        
Francisco Cenamor

(En el océano)
1
Los niños juegan al fútbol sobre el césped mojado; el
anciano amontona hojas secas

2
Dos adolescentes se miran de banco a banco en la
estación. ¿Es la poesía herramienta útil para contener
los bellos borbotones de sus ojos?



(En el mar)
1
Me gustaba tanto entrar al jardín que tenía miedo de
pisar las flores

2
Otros se llevan mis regalos, los besos, las caricias, la
piel joven. Yo me llevo la ropa usada

3
Imagino tanto antes de nada que beso sueños y
fantasmas: lo peor son los fantasmas
                                     

                                              
(Ánforas ocultas)
1
Llueve. Un mendigo baila solo en la calle, nadie quiere
bailar con él

*
ilustração/foto de joba tridente.2018


Francisco Cenamor (1965, Leganés, Espanha) é escritor, articulista, ator e diretor de teatro. Francisco Cenabor, que coordena o Clube de Leitura da Universidad Carlos III, é autor de Amando nubes (Talasa Ediciones, 1999), Ángeles sin cielo (Ediciones Vitruvio, 2003), (Asamblea de palabras, Ediciones Vitruvio, 2007), Casa de aire (Amargord Ediciones, 2009), Nada somos, (Editorial Luces de gálibo, 2011) e Restos de naufragio (autoedição em formato digital, 2017). Em breve será lançada a edição bilíngue (espanhol e inglês) do livro de poemas Baltimore. A sua poesia também pode ser lida nas antologias: Poemas contra la guerra (2004); Salida de emergencia (2004); Vida de perros; Poemas perrunos (2007). Para saber mais sobre o autor e sua obra: Francisco Cenamor; Cuaderno de Poesia Crítica; Valejo & Co: Banderas transparentes, 11 poemas de Francisco Cenamor; Gibral Faro: Paisajes Interiores: Selección de Poemas; Revista O Cronopio; Banco da Poesia: Francisco Cenamor, poeta de Leganés; Proyeto Genoma Poético: Francisco Cenamor; La Locura de Los Cuerdos: Francisco Cenamor; mediaisla: Francisco Cenamor: “El compromiso con el lenguaje es el de enriquecerlo”; Varasek Ediciones: The Dharma Beats, una historia de la beat generation, por Francisco Cenamor; Espacio Latino: Francisco Cenamor y Luis Luna: dos poetas españoles; Fran Cenamor: Facebook; Francisco Cenamor - la entrevista: YouTube.

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