...,
há dias em que, para ser plural, basta ser singular. ..., há dias em que nem
mesmo o chão acolhe a boa semente. ..., há dias em que você clama: só zerando!. ..., porque há dias que só
a catarse liberta e ou porque há dias em que só há catarse. ..., c.h.ã.o. é poema de safra recente.
..., c. h. ã. o.
joba tridente
a marcílio farias
norte a sul
leste a oeste
ao centro
riria eu
não fossem trágicos os dias
em tormenta capital
riria eu
se dorido não fosse
articular os músculos da face
curvar o rasgo da boca
forçar concavidade
quebrando o horror convexo
dos lábios cerrados
trincados pela tormenta federal
que revolve o bolor
do joio que apodrece no saco
de imbecis senhores
equilibrando-se em poleiros
cagados de mazelas
com suas garras de rapina
cuspo-lhe na cara podre
e fétida de “caviar” de
cabra
cuspo-lhe nessa escrotidão
que mascara o mascarado
cobri-lo com meu sangue roto
sufocá-lo com meu fel
é honraria que não mereces
nobre senhor da mediocridade
anarquista primário
(quisera
eu primitivo ou naïf)
não esbugalho os olhos
para
espantar o mal-estar
da sua
presença
pela dor dos músculos atrofiados
pela aflição do corte seco
das pálpebras costuradas com
os cílios
pela secura das lágrimas
cristalizadas
e se não lhe vejo sinto o teu fedor
acre a me causar ânsias
e escarro verde nesse teu terno
escuro
como sua alma
promíscua
vezes quanto me aprouver
abjeto senhor peculador
enojado da sua podridão partid(i)ária
enojado da sua podridão subpartid(i)ária
enojado da sua podridão suprapartid(i)ária
que lava os cérebros miseráveis
dos alienados cegos à sua canalhice
com os dejetos ideo(i)lógicos dos
esgotos
das três sórdidas casas
senhoriais
da cabeça aos pés
da direita mão à mão esquerda
do centro fora do prumo
à falta de sentido
só ZERandO
: ao final o que sobra
o que resta
o que basta
é somente o c. h. ã. o. ...,
*
ilustração de joba tridente.2016
Joba Tridente,
artesão de palavras e imagens em Verso : 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê
Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois
de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História
Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos
Stankienambás (2000); Cidades
Minguantes (2001); O Vazio no Olho
do Dragão (2001). Contos , poemas e artigos
culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo ,
Revista Planeta ,
entre outros.
Forte e belo.
ResponderExcluir..., gratíssimo, Sonia!
Excluirlindo...
ResponderExcluir..., obrigado, Marian Isabel Say!
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