Mostrando postagens com marcador Políticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Políticos. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de outubro de 2018

Joba Tridente: a.dor.nos


ou é o tempo. ou é o deus. ou é o povo. ou é o capital. ou é o peixe. ou é a miséria. ou é o bandido. ou é o imposto. ou é a mãe. ou é a fraude. ou é a corrupção. ou é o poder. ou é o sexo. ou é a educação. ou é a crise. não importa. nada importa. enquanto a pedra no sapato for o político. 


                                      

a.dor.nos
joba tridente

1
o ser político
o coser político
o cozer político

..., na mesa posta
           os vermes 
                regurgitam o ardil


2
só o riso
da cascavel camuflada
                                 só o guizo

..., entre as pedras 
                o engodo
      folhas secas e pele trocada


      *
      jt.poemas.ilustração.2018


Joba Tridente, um livre pensador livre. artesão de imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Joba Tridente: m.ã.o.s

Numa época em que impostores e falastrões se apoderam do poder estabelecido com ou sem a conivência do povo..., em dias politicamente podres em quase todo o planeta..., há que se ficar atento para evitar a demência ampla, geral e irrestrita.

A minha arte vem da observação do mundo ao meu redor. Foi um olhar oportuno, em entrevistas indecentes, das mãos nervosas de quem se faz ou é feito comandante de nação, que, após c.h.ã.o (2016), me fez cometer m.ã.o.s (2017). Qualquer semelhança com algumas mãos (re)conhecidas por você pode não ser mera coincidência.

              
m . ã . o . s
joba  tridente

tuas gélidas mãos
tão suas no suor frio
arrepiam minha lógica
na tela em que te vejo
nem bocejo

tuas magricelas mãos
carregadas de longos dedos
que apontam que desdenham
que anunciam que empossam
mãos de todos os pesos
na latrina do palácio de todos os pecados
onde sempre encontras um bacio
a servir em comum às outras trêmulas mãos
que nas esquinas da labirintite palaciana
sabem temer
não apenas o degelo da munheca
que (en)torna escorregadia
a  rampa do poder
mas também o degrau sul-republicano
capaz de lhe sequestrar o sol

tuas viscosas mãos
tão temerosamente suas
exalam a seiva peçonhenta
comum aos sujeitos iagos
que gotejam hipocrisia
que cortejam vassalos
em serões aziagos
nas noites de lua nova
e estrelas cerradas
ofuscando o salão
de tortos bailados

tuas trágicas mãos
num drama federal
vagam tontas
vagam tolas
vagam tagarelas
vagam canastronas
num palco de idiossincrasias alugadas
a preços tão módicos
que fazem tremer as bolsas
que fazem temer os boçais
em suas cadeiras aveludadas
tão dadas ao vinho filante

tuas finórias mãos
tão apegadas
uma à outra tão suas
teus finórios dedos
tão apegados
uns aos outros tão seus
desdenham da sorte arruaceira
porque a câmera que tv
insiste em não ver
o quê d’ócio padece

na tela
bate o gongo emissor
o eco midiático na cabeça vazia
zonzeia o tongo

mãos alheias na boca nos olhos nas orelhas
tapam..., tapeiam..., esbofeteiam
: entorpecem!

na janela
bate o gongo remissor
o ego midiático na cabeça vadia
zonzeia o tongo

tuas maquiavélicas mãos
tão ardilosamente suas
de dedos maquinando canetas
tão mecanicamente suas
de dedos maquiando palavras
tão falsamente suas
de dedos esmaltando laivos
que a acetona do tempo
um dia desvelará

tuas lascivas mãos                 
tão lubricosamente suas
nas carícias de ossos de outra conjuntura
nos cafunés tamborilantes na calva da justiça

tuas lancinantes mãos
tão ferinamente suas
na tatuagem macabra do vocábulo subliminar
na panfletagem inócua do voto sustenido

tuas nulas mãos
tão cegamente suas
que se negam uma
a outra lavar
temerosas dos dedos
uma os da outra arrancar

no cotoco maneta
a concha que acolhe
e a concha que abafa
já não farão eco
os vermes da plateia
já deixaram o palco central
nos bastidores la commedia è finita
e apenas a tua boca
tão aborrecidamente sua
insiste em não desgrudar da máscara...

                                cwb.10.02.2017



Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Joba Tridente: c.h. ã. o

..., há dias em que, para ser plural, basta ser singular. ..., há dias em que nem mesmo o chão acolhe a boa semente. ..., há dias em que você clama: só zerando!. ..., porque há dias que só a catarse liberta e ou porque há dias em que só há catarse. ..., c.h.ã.o. é poema de safra recente.

               
..., c. h. ã. o.
joba tridente

a marcílio farias

norte a sul
leste a oeste
ao centro
                                    riria eu
não fossem trágicos os dias
em tormenta capital
                      riria eu
se dorido não fosse
articular os músculos da face
curvar o rasgo da boca
forçar concavidade
quebrando o horror convexo
                     dos lábios cerrados
trincados pela tormenta federal
que revolve o bolor
do joio que apodrece no saco
de imbecis senhores
equilibrando-se em poleiros
cagados de mazelas
com suas garras de rapina

cuspo-lhe na cara podre
                   e fétida de “caviar” de cabra
cuspo-lhe nessa escrotidão
                   que mascara o mascarado
cobri-lo com meu sangue roto
sufocá-lo com meu fel
                  é honraria que não mereces
                  nobre senhor da mediocridade

anarquista primário
(quisera eu primitivo ou naïf)
não esbugalho os olhos
para  espantar o mal-estar
                           da sua presença
pela dor dos músculos atrofiados
pela aflição do corte seco
                      das pálpebras costuradas com os cílios
pela secura das lágrimas cristalizadas
e se não lhe vejo sinto o teu fedor
                                                   acre a me causar ânsias
e escarro verde nesse teu terno
                                        escuro como sua alma
                                        promíscua
vezes quanto me aprouver
     abjeto senhor peculador
enojado da sua podridão partid(i)ária
enojado da sua podridão subpartid(i)ária
enojado da sua podridão suprapartid(i)ária
que lava os cérebros miseráveis
                dos alienados cegos à sua canalhice
com os dejetos ideo(i)lógicos dos esgotos
                                                      das três sórdidas casas
                                                                                      senhoriais

da cabeça aos pés
da direita mão à mão esquerda
do centro fora do prumo
à falta de sentido
                                só ZERandO

: ao final o que sobra
                 o que resta
                 o que basta
                 é somente o c. h. ã. o. ...,

      *
      ilustração de joba tridente.2016


Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...