
..., a
significativa fala: “É melhor morrer em
pé do que viver de joelhos!” é atribuída ao líder revolucionário mexicano
Emiliano Zapata (1879-1919), que lutou contra a ditadura de Porfirio Diaz (1830-1915).
Sendo ou não de Zapata, o recado correu mundo e hoje é manifestado por todos os
povos subjugados por regimes autoritários e que não se cansam de lutar para
readquirir seus direitos e sua cidadania. ..., o poema g.u.e.l.r.a.s foi
escrito num momento em que a ganância política e econômica só faz crescer no
mundo, sob o comando de déspotas odiosos, e que a guerra da vez (na mídia) é a da
Rússia contra a Ucrânia. ..., dependendo do país opressor, só nota de rodapé.
..., g.u.e.l.r.a.s veio assim, a propósito (também) de um termo recém-criado
(?): russofobia..., ódio à magnífica
cultura russa. ..., gente idiotizada buscando penalizar a todos os intelectuais,
a todos os artistas russos (da música, do cinema, do teatro, da literatura, do
balé, da ópera), pelos atos tresloucados do ambicioso ditador daquele país.
..., poema e ilustrações de joba tridente: 10.03.2022.

g.u.e.l.r.a.s
joba.tridente
I
GENOCIDAS dormem
tranquilos
pesadelos TORTURAM
a população
que não se sabe viva
NA MANHÃ
II
explodem b a r r i g a s
explodem f i l h
o s
explodem mães
f e i t o f o g o s d e a r
t i f í c i o
no céu vermelho grená
III
ao executar o Concerto para Piano nº.2 op.18
o sangue rubro dos dedos decepados do pianista
embebe a partitura de Rachmaninoff
IV
ruem hospitais e bibliotecas e teatros
esmagando Tchekhov
no proscênio
ruem escolas e creches e orfanatos
soterrando Tchaikovsky
e os cisnes no lago
ruem conservatórios e óperas e cinemas
engolindo Stravinsky e
Prokofiev
e Moussorgsky em línguas de fogo
abrasando Eisenstein
e Tarkóvski e Vertov
e Gaidai
e Sokurov e Bekmambetov
em latas enferrujadas
ruem portos e alfândegas e estações
murando Pushkin e Dostoiévski e Tolstói
e Gógol e Gorki e Nabokov
e Tsvetáieva e Maiakovski
e Pasternak
ruem torres e igrejas e bares
entre um tiro e outro
gargalhas e cantorias
strogonoff e vodka
: mata,
mata, mata,
mata, mata, mata,
mata, mata, mata,
..., M.A.T.O.U!
Joba Tridente, um livre pensador livre. artesão de
imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas
Experimentais (1999); Quase Hai-Kai
(1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões:
Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê
Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois
de ma fenêtre – O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História
Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos
Stankienambás (2000); Cidades
Minguantes (2001); O Vazio no Olho
do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos
culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal
Nicolau, Gazeta do Povo,
Revista Planeta,
Humanidades, entre outros.
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