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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

William Blake: Alegria Infantil e A Mosca


WILLIAM BLAKE
entre a Inocência e a Experiência

Alguns autores são tão incandescentes que é praticamente impossível classificá-los. É o caso do inglês William Blake: escritor, tipógrafo, artista gráfico, gravurista, ilustrador, artista plástico..., cujas obras, literalmente fantásticas, trazem resquícios do iluminismo (1650-1800) e vão do romantismo ao simbolismo. Sem se ocupar muito com os “ismos” de sua época, Blake, além da originalidade plástica e literária, foi um artista coerente com sua visão político-social e religiosa, mesmo diante das adversidades profissionais que o mantiveram praticamente na linha da pobreza até o fim da vida. 

Neste mês de novembro de 2017, que marca 260 anos de nascimento de William Blake (Londres: 28.11.1757), que morreu há 190 (Londres: 12.08.1827), estou publicando, em sua homenagem, alguns poemas (em inglês, português e espanhol) do seu notável livro Canções de Inocência (1789) e Canções de Experiência (1794). A luz e a sombra no caminho das crianças de ontem e de hoje.


Cada postagem (28, 29 e 30 de novembro) traz dois poemas de Blake relacionados à inocência (luz) e à experiência (sombra): "Os dois Estados contrários da Alma Humana". As ilustrações são fac-símiles das publicações originais. Na montagem gráfica, acima, William Blake em autorretrato (fiz as montagens dos retratos e ilustrações das três publicações utilizando material disponibilizado na web). 

Você, que anteriormente conheceu as impressionantes versões de O Limpador de Chaminés, a doçura de O Cordeiro e a ferocidade de O Tigre, hoje compreende o valor da felicidade em Alegria Infantil e a dimensão da dor em A Mosca. Algumas traduções me tocam mais que outras..., por uma palavra, uma métrica, uma rima exata. Assim escolhi as versões de Paulo Vizioli (em William Blake: poesia e prosa selecionadas, ed. Nova Alexandria, 1993) e de Nicolás Suescún Peña (em Canciones de inocência y de experiência, ed. epulibre), para o poema Alegria Infantil. Em seguida, José Paulo Paes (em Gregos & Baianos - Ensaios. ed. Brasiliense, 1985) e Pablo Mañé Garzón (em William Blake - Obra poética - ed. 69, 1980) para o poema A Mosca. O contraponto (de luz e sombra) destes dois poemas, para a publicação, é meu.


                  

INFANT JOY
William Blake in Songs of Innocence

“I have no name: 
I am but two days old.”
What shall I call thee? 
“I happy am, 
Joy is my name.”
Sweet joy befall thee! 

Pretty joy! 
Sweet joy but two days old, 
Sweet joy I call thee:
Thou dost smile,
I sing the while, 
Sweet joy befall thee!


ALEGRIA INFANTIL
William Blake em Canções da Inocência
tradução: Paulo Vizioli²

“Não tenho nome,
Tenho apenas dois dias.”
Que nome então irei dar-te?
“Eu sou feliz,
Já isso o diz.”
Seja alegria a tua parte!

Bela alegria,
Doce alegria, de apenas dois dias!
Alegria irei chamar-te.
Sorris enquanto
Feliz eu canto:
Seja alegria a tua parte!


ALEGRÍA INFANTIL
William Blake: Canciones de Inocencia
traducción: Nicolás Suescún Peña³

«No poseo nombre:
pero nací hace dos días».
¿Cómo te llamaré?
«Soy feliz,
me llamo alegría».
¡Que el dulce júbilo sea contigo!

¡Bonita alegría!
Dulce alegría, de apenas dos días,
te llamo dulce alegría:
así tú sonríes,
mientras yo canto.
¡Que el dulce júbilo sea contigo!



                  

THE FLY
William Blake in Songs of Experience

Little Fly,
Thy summer’s play
My thoughtless hand
Has brushed away.

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink, and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath
And the want
Of thought is death;

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.


A MOSCA
William Blake em Canções da Experiência
Tradução: José Paulo Paes⁴

Pequena Mosca,
Teus jogos de estio
Minha irrefletida
Mão os destruiu.

Pois como tu,
Mosca não sou eu?
E não és tu
Homem como eu?

Eu canto e danço e
Bebo, até que vem
Mão cega arrancar-me
As asas também.

Se é o pensamento
Vida, sopro forte,
E a ausência do
Pensamento morte,

Então eu sou
Uma mosca travessa,
Mesmo que viva
Ou que pereça.


LA MOSCA
William Blake em Canciones de Experiencia
traducción: Pablo Mané Garzón⁵

Pequeña mosca,
tus juegos veraniegos
mi atolondrada mano
se ha llevado.

¿No soy yo
una mosca como tú?
¿No eres tú
un hombre como yo?

Pues bailo
y bebo y canto
hasta que alguna mano ciega
se lleva mis alas.

Si el pensamiento es vida
y fuerza y aliento
y el carecer
de pensamiento es muerte,

soy
una mosca feliz
así viva
o muera.


1. William Blake (1757-1827) foi escritor, tipógrafo, artista gráfico, gravurista, ilustrador, artista plástico. Há farto material (principalmente em inglês) na web: como biografia e obras, ensaios críticos sobre a produção literária e plástica deste humanista genial. Recomendo: William Blake Archive-1; William Blake Archive-2; William Blake Archive-3; Poetry Foundation; A cidade de Londres nas canções da experiência de William Blake (Flavia Maris Gil Duarte); Romantismo Inglês; Templo Cultural Delfos: William Blake - o poeta visionário. William Blake é autor de: Poetical Sketches (1783); There is no Natural Religion (1788); All Religions Are One (1788); Songs of Innocence (1789); Book of Thel (1789); The French Revolution: A Poem in Seven Books (1791); Ilustrações para Original Stories from Real Life, de Mary Wollstonecraft (1791); A Song of Liberty (1792); The Marriage of Heaven and Hell (1793); Visions of the Daughters of Albion (1793); America, A Prophecy (1793); Songs of Experience (1794); Songs of Innocence and of Experience (1794); Europe, a Prophecy (1794); The Book of Urizen (1794); The Song of Los (1794); The Book of Ahania (1795); The Book of Los (1795); Ilustrações para Night Thoughts, de Edward Young (1797); Milton (1804); Ilustraçõe do livro The Grave, de Robert Blair (1808);Everlasting Gospel (1818); Jerusalem (1820); The Ghost of Abel (1822); Ilustrações para Dante's Divine Comedy (1825); ilustrações para O livro de Jó (1826). Fonte Bibliográfica: Wikipédia.

2. Paulo Vizioli (Piracicaba-SP: 19/07/1934 - Borgo San Lorenzo/Itália: 09/10/1999). Foi professor de literatura americana e inglesa da USP, crítico literário e tradutor de autores como William Blake, W. Wordsworth; S. T. Coleridge, Oscar Wilde, Alexander Pope; John. Donne, Geoffrey Chaucer, W. C. Williams. Vizioli foi premiado com o Jabuti (1994) pelo livro William Blake: poesia e prosa selecionadas/edição bilíngue.

3. Nicolás Suescún Peña (Bogotá (Colômbia): 05/05/1937-14/04/2017​) foi escritor de prosa e verso, jornalista, professor, artista gráfico, artista plástico. Dirigiu a revista literária Eco e foi chefe de redação da revista Cromos, onde publicou artigos sobre política internacional. Traduziu, entre outros, Ambrose Bierce, Anne Marie Garat, Arthur Rimbaud, Christopher Isherwood, Gustave Flaubert, Honore de Balzac, Jaime Manrique, Robert Louis Stevenson, Stephen Crane, Wade Davis, William Blake, William Butler Yeats, William Shakespeare, William Somerset Maugham. É autor de contos: El retorno a casa (1971); El último escalón (1974); El extraño y otros cuentos (1980); Oniromanía (1996); de poemas: La vida es (1986); Trés a.m. (1986); La voz de nadie (2000); Bag bag (2003); Este realmente no es el momento (2007); Empezar en cero (2007); Jamás tantos muertos y otros poemas (2008); de novelas: Los cuadernos de N (1994); Opiana (2015).

4. José Paulo Paes (Taquaritiga-SP: 22/07/1926 – São Paulo-SP: 09/10/1998): escritor de verso e prosa, tradutor, crítico literário e ensaísta brasileiro. Morou e estudou em Curitiba, onde colaborou com a revista literária Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. Em 1947 lançou O Aluno, seu primeiro livro. Colaborou com poemas e artigos para o Jornal Notícias, O Tempo, Revista Brasiliense, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo. Foi secretário da Associação Brasileira de Escritores e diretor da Editora Cultrix. Traduziu William Blake, Charles Dickens, Joseph Conrad, Konstantinos Kaváfis, Lawrence Sterne, Lewis Carrol, Pietro Aretino, W. H. Auden, William Carlos William, J.K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Ovídio. José Paulo Paes é autor, entre outros, de: Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Epigramas (1958); Anatomias (1967), Meia Palavra (1973), Resídua (1980), É Isso Ali (1984),  Gregos e Baianos (1985), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Poemas para Brincar - 1990, Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), A Meu Esmo (1995), Um Passarinho Me Contou (1996), Poesia Para Crianças (1996), A Revolta das Palavras (1999) , Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (1999). 

5. Pablo Mañé Garzón (Montevideo (Uruguai): 21/01/1921 - Barcelona (Espanha): 20.12.2004). O pintor, escritor e tradutor uruguaio viveu na França de 1933 a 1939. Garzón estudou em Paris, onde conheceu a arte vanguardista, e foi discípulo do escultor, pintor e crítico de arte André Lhote (1885-1962). No retorno ao Uruguai se especializou em crítica de musical e de artes plásticas e, a partir de 1956, foi colaborador do semanário Marcha e do diário El País e expôs suas obras em Montevideo, Buenos Aires e São Paulo. Doutor em Direito e Ciências Sociais, pela Universidad de la República Oriental del Uruguay, não abandonou as artes plásticas, mas começou a questionar pintura política e socialmente. Em 1969 se mudou para Barcelona e em 1972 expôs na Sala Gaudí. Fundou a Academia de Pintura e Desenho, em Mataró, em 1973. Por essa época divide-se entre as artes plásticas (expôs em Barcelona, Madrid, Sevilla, Bilbao, Valladolid, Palma de Mllorca) e as traduções de poetas clássicos e românticos, como William Shakespeare, Walt Whitman, William Blake Edgar Allan Poe, Stéphane Mallarmé, Paul Verlaine, Yukio Mishima, H. D. Lawrence. Pablo Mañé Garzón, que tem obras de artes plásticas no Museo Nacional de Artes Visuales de Montevideo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museo de Arte de Toledo, em coleções do Banco de España e Banco de Sabadell, é autor da novela El Rey Arturo y los Caballeros de La Tabla Redonda (1990).

terça-feira, 28 de novembro de 2017

William Blake: O Limpador de Chaminés - 1 e 2

WILLIAM BLAKE
entre a Inocência e a Experiência

Alguns autores são tão incandescentes que é praticamente impossível classificá-los. É o caso do inglês William Blake: escritor, tipógrafo, artista gráfico, gravurista, ilustrador, artista plástico..., cujas obras, literalmente fantásticas, trazem resquícios do iluminismo e vão do romantismo ao simbolismo. Sem se ocupar muito com os “ismos” de sua época, Blake, além da originalidade plástica e literária, foi um artista coerente com sua visão político-social e religiosa, mesmo diante das adversidades profissionais que o mantiveram praticamente na linha da pobreza até o fim da vida. 

Neste mês de novembro de 2017, em que se comemora os 260 anos de nascimento de William Blake (Londres: 28.11.1757), que morreu há 190 (Londres: 12.08.1827), vou publicar hoje (28), e nos próximos dois dias, poemas (em inglês, português e espanhol) do seu notável livro Canções de Inocência (1789) e Canções de Experiência (1794). A luz e a sombra no caminho das crianças de ontem e de hoje.


Serão dois poemas de William Blake¹ a cada postagem, um relacionado à inocência (luz) e outro à experiência (sombra): "os dois Estados contrários da Alma Humana", ilustrados com fac-símiles das publicações originais. Na montagem gráfica, acima, William Blake em pintura a óleo de Thomas Phillips (1770-1845) e gravura de Luigi Schiavonetti (1765-1810). 

Começo com os emblemáticos O Limpador de Chaminés (em Canções de Inocência) e O Limpador de Chaminés (em Canções de Experiência). São muitas as traduções em português e espanhol dos poemas de Blake..., tanto em edições digitais quanto em papel, variando, inclusive, na métrica e na diagramação. Cada tradutor com sua interpretação. Optei pelas versões de Paulo Vizioli¹ (em William Blake: poesia e prosa selecionadas/ Edição bilíngüe. Editora Nova Alexandria, 1993) e de Nicolás Suescún Peña² (em Canciones de inocência y de experiência, edição epulibre (ano?), mais interessante que a publicada pela Fundación Editorial el perro y la rana, em 2009).


      

THE CHIMNEY SWEEPER
William Blake in Songs of Innocence

When my mother died I was very young,
And my Father sold me while yet my tongue
Could scarcely cry “weep! ’weep! ’weep! ’weep!
So your chimneys I sweep, and in soot I sleep.

There’s little Tom Dacre, who cried when his head,
That curl’d like a lamb’s back, was shaved: so I said
“Hush, Tom! never mind it, for when your head’s bare
You know that the soot cannot spoil your white hair.”

And so he was quiet, & that very night
As Tom was a-sleeping, he had such a sight!
That thousands of sweepers, Dick, Joe, Ned, & Jack,
Were all of them lock’d up in coffins of black.

And by came an Angel who had a bright key,
And he open’d the coffins & set them all free;
Then down a green plain leaping, laughing, they run,
And wash in the a river, and shine in the sun.

Then naked & white, all their bags left behind,
They rise upon clouds and sport in the wind;
And the Angel told Tom, if he’d be a good boy,
He’d have God for his father, & never want joy.

And so Tom awoke; and we rose in the dark,
And got with our bags & our brushes to work.
Tho’ the morning was cold, Tom was happy and warm,
So if all do their duty they need not fear harm.


O LIMPADOR DE CHAMINÉS
William Blake em Canções da Inocência
tradução: Paulo Vizioli²

Ao morrer minha mãe, eu era criancinha;
E meu pai me vendeu quando ainda a língua minha
Dizia “vale-dor!” De “varredor” não fujo,
Pois limpo chaminés, e sigo sempre sujo.

Chorou Tom Dacre ao lhe rasparem o cabelo,
Cacheado como um cordeirinho. E eu disse ao vê-lo:
“Não chores, Tom! Porque a fuligem não mais deve
Manchar, como antes, teu cabelo cor de neve.”

E ele ficou quietinho; e nessa noite, então,
Enquanto ele dormia, teve uma visão:
Viu Dick, Joe, Ned e Jack, - e mil colegas mais, -
Encerrados em negros caixões funerais.

E um anjo apareceu, com chave refulgente,
E abriu os seus caixões, soltando-os novamente;
E correm na verdura, a rir, para o arrebol,
E se banham num rio e reluzem ao sol.

Brancos e nus, sem mais sacolas e instrumentos,
Eis que sobem as nuvens, brincam sobre os ventos;
E esse anjo disse a Tom que, se ele for bonzinho,
Terá Deus como pai, e todo o seu carinho.

E assim Tom despertou; e, antes do sol raiar,
Com sacolas e escovas fomos trabalhar.
Feliz, Tom nem sentia o frio matinal;
Quem cumpre o seu dever não teme nenhum mal.


EL DESHOLLINADOR
William Blake em Canciones de Inocencia
traducción: Nicolás Suescún Peña³

Cuando mi madre murió yo era muy joven,
y cuando mi padre me vendió mi boca
apenas podía gemir, gemir, gemir, gemir,
así que limpio chimeneas y duermo en el hollín.
Un día el pequeño Tom Dacre lloró cuando raparon
su cabeza rizada como el lomo de un cordero,
y le dije: «¡Calla, Tom! No importa, porque con
la cabeza desnuda el hollín no arruinará tu pelo claro».
De modo que se calmó, y aquella misma noche,
¡durante el sueño tuvo una visión!
donde miles de deshollinadores, Dick, Joe, Ned y Jack,
estaban todos prisioneros en ataúdes negros.
Y llegó un Ángel que tenía una llave brillante,
abrió los ataúdes y los puso en libertad;
entonces por un verde prado corren brincando y riendo,
y se lavan en un río, y brillan bajo el sol.

Luego desnudos y blancos, abandonadas sus bolsas,
se encaraman a las nubes y juguetean con el viento,
y el ángel le dice a Tom que si se
comporta bien,
tendrá a Dios como padre y no
carecerá de alegrías.

Tom despertó entonces, y nos levantamos en la oscuridad,
y con nuestras bolsas y cepillos salimos a trabajar.
Si bien la mañana era fría, Tom se sentía feliz y abrigado;
pues quienes cumplen sus deberes nada tienen que temer.



       

THE CHIMNEY SWEEPER
William Blake in Songs of Experience

A little black thing among the snow,
Crying “weep! weep” in notes of woe!
“Where are thy father & mother? say?”
“They are both gone up to the church to pray.

“Because I was happy upon the heath,
“And smil’d among the winter snow,
“They clothed me in the clothes of death,
“And taught me to sing the notes of woe.

“And because I am happy & dance & sing,
“They think they have done me no injury,
“And are gone to praise God & his Priest & King,
“Who make up a heaven of our misery.”


O LIMPADOR DE CHAMINÉ
William Blake em Canções da Experiência
tradução: Paulo Vizioli

Na neve há um pontinho bem negro que vai
E diz “varre-dor!” com os tons do pesar!
“Responde: onde estão tua mãe e teu pai?”
“Os dois foram juntos à Igreja rezar.

“Como entre os espinhos mostrei que era forte,
E ria no inverno, entre a neve a tombar,
Vestiram a mim com as vestes da morte,
E a mim ensinaram os tons do pesar.

E, como feliz eu cantei e dancei,
Acharam que tudo comigo é pilhéria;
E louvam a Deus e Seu Padre e Seu Rei,
Que formam um Céu com a nossa miséria.”


EL DESHOLLINADOR
William Blake em Canciones de Experiencia
traducción: Nicolás Suescún Peña

Una cosita negra entre la nieve,
gimiente ¡llora!, ¡llora! con notas
de pesar.

“Dime: ¿dónde están tu padre
y tu madre?
Ambos fueron a la iglesia para rezar.

“Porque yo era feliz en los montes
y le sonreía a la nieve invernal,
me cubrieron con ropajes de muerte
y me enseñaron a cantar notas
de dolor.

“Y porque soy feliz, y bailo y canto,
creen que no me han causado daño,
y fueron a alabar a Dios, a su Cura
y al Rey,
que con nuestra miseria construyen
un cielo”.


1. William Blake (1757-1827) foi escritor, tipógrafo, artista gráfico, gravurista, ilustrador, artista plástico. Há farto material (principalmente em inglês) na web: como biografia e obras, ensaios críticos sobre a produção literária e plástica deste humanista genial. Recomendo: William Blake Archive-1; William Blake Archive-2; William Blake Archive-3; Poetry Foundation;  A cidade de Londres nas canções da experiência de William Blake (Flavia Maris Gil Duarte); Romantismo Inglês; Templo Cultural Delfos: William Blake - o poeta visionário. William Blake é autor de: Poetical Sketches (1783); There is no Natural Religion (1788); All Religions Are One (1788); Songs of Innocence (1789); Book of Thel (1789); The French Revolution: A Poem in Seven Books (1791); Ilustrações para Original Stories from Real Life, de Mary Wollstonecraft (1791); A Song of Liberty (1792); The Marriage of Heaven and Hell (1793); Visions of the Daughters of Albion (1793); America, A Prophecy (1793); Songs of Experience (1794); Songs of Innocence and of Experience (1794); Europe, a Prophecy (1794); The Book of Urizen (1794); The Song of Los (1794); The Book of Ahania (1795); The Book of Los (1795); Ilustrações para Night Thoughts, de Edward Young (1797); Milton (1804); Ilustraçõe do livro The Grave, de Robert Blair (1808); Everlasting Gospel (1818); Jerusalem (1820); The Ghost of Abel (1822); Ilustrações para Dante's Divine Comedy (1825); ilustrações para O livro de Jó (1826).

2. Paulo Vizioli (Piracicaba-SP: 19/07/1934 - Borgo San Lorenzo/Itália: 09/10/1999). Foi professor de literatura americana e inglesa da USP, crítico literário e tradutor de autores como William Blake, W. Wordsworth; S. T. Coleridge, Oscar Wilde, Alexander Pope; John. Donne, Geoffrey Chaucer, W. C. Williams. Vizioli foi premiado com o Jabuti (1994) pelo livro William Blake: poesia e prosa selecionadas/edição bilíngue.

3. Nicolás Suescún Peña (Bogotá/Colômbia: 05/05/1937-14/04/ 2017​) foi escritor de prosa e verso, jornalista, professor, artista gráfico, artista plástico. Dirigiu a revista literária Eco e foi chefe de redação da revista Cromos, onde publicou artigos sobre política internacional. Traduziu, entre outros, Ambrose Bierce, Anne Marie Garat, Arthur Rimbaud, Christopher Isherwood, Gustave Flaubert, Honore de Balzac, Jaime Manrique, Robert Louis Stevenson, Stephen Crane, Wade Davis, William Blake, William Butler Yeats, William Shakespeare, William Somerset Maugham. É autor de contos: El retorno a casa (1971); El último escalón (1974); El extraño y otros cuentos (1980); Oniromanía (1996); de poemas: La vida es (1986); Trés a.m. (1986); La voz de nadie (2000); Bag bag (2003); Este realmente no es el momento (2007); Empezar en cero (2007); Jamás tantos muertos y otros poemas (2008); de novelas: Los cuadernos de N (1994); Opiana (2015).

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