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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Joba Tridente: A maldição do círculo

Ilustração de Joba Tridente: Variação sobre a maçã - Falas ao Acaso

A maldição do círculo
ou os Tupyninguém

Eu tenho dúvidas se o correto seria maldição ou má dicção do círculo. Essa figura meta e física, ápice do conhecimento sagrado e profano, antes esotérica e hoje totalmente banalizada por uma tribo Tupyninguém que, de tão subdesenvolvida, subserviente e tacanha, autodenomina-se designer.

Dizem os estudiosos que a palavra designer (cuja pronúncia varia conforme a classe usuária: desainer, dessainer, disainer, dissainer, dezaine, dizaine, dezãin, dizãin...) vem do inglês de cima e significa o mesmo que o português de baixo: desenhista. No entanto, como os Tupyninguém são uma tribo de desentendidos, cada integrante dá à palavra de cima o significado que quiser no português de baixo. Para uns, designer quer dizer que o costureiro de ontem é hoje um estilista conceitualista de moda e o cabeleireiro é um arranjador conceitualista de cabelo. Para outros, designer quer dizer que o ilustrador e artista gráfico agora é um web-conceitualista de arte, ou que o desenhista industrial é um estilista conceitualista de produtos industriais, o decorador é um estilista conceitualista de interiores e a manicure é uma estilista conceitualista de mãos... E por aí vai, cada um se dando a graça de ser cada vez mais cada um no seu universo cada vez mais abarrotado de “unidades carbono” conceituais (ou seria designers?).

O que se passa na cabeça sempre colorida de um designer (reflexo contínuo da cabeça de outro designer) ao criar (?) uma marca para um produto e concluir que ao logotipo basta acrescentar um círculo, meio círculo, círculo entrelaçado ao círculo...? Céus e Infernos, será que esse indivíduo só aprendeu a fazer rodinhas na escola em que atravessou? Ou será que essas horrendas marcas (geralmente cópias de outras cópias) que a cada dia invadem os meios de comunicação, cegando, ensurdecendo, emudecendo o espectador distraído é mera brincadeira de mau gosto, um estilismo conceitual caduco, um teste de paciência para concluir até onde uma pessoa sã está atenta ao lixo visual?

De volta ao princípio questiono: Será o círculo uma maldição divina e/ou maligna, para testar os nossos sentidos? Será o designer tupyninguém um capacho inocente de forças desconhecidas (que abduziram a sua criatividade) ou um zumbi com má dicção, maldizendo o círculo em todas as suas (sic!) possibilidades de círculo? Socorro! Ou melhor, help!

ilustração de Joba Tridente - Variação sobre a maçã - 2009

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