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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Joba Tridente: f.o.t.o.g.r.a.m.a.s X

 


f.o.t.o.g.r.a.m.a.s X

j.o.ba...t.r.i.d.e.n.t.e

 

É possível que os sobreviventes jamais esqueçam este fatídico ano 2020. É possível que os sobreviventes farão de tudo para esquecer este fatídico ano 2020..., ano em que um vírus nada preconceituoso (sequer racista ou xenofóbico) passou rasteira socioeconômica e político-religiosa em quase (?) todo o mundo capitalista, botando a nu muitos governantes que se viram obrigados a dar suas caras-de-pau a tapas. Nessa temporada pandêmica, começada lá nos idos de março de 2020, venho tecendo uma série de crônicas em verso e prosa, quase diárias, focadas no coronavírus, nomeadas de f.o.t.o.g.r.a.m.a.s. Aproveitando a temporada de eleições e em homenagem a todos os mortos que, de alguma forma, foram afetados pela negligência de seus governantes, posto aqui, no Falas ao Acaso, f.o.t.o.g.r.a.m.a.s X, escrito em 04.05.2020.


                           
                                
                          f.o.t.o.g.r.a.m.a.s X

joba tridente

 

a tristeza

de quem sobreviveu

aos pais e aos filhos

                 e aos avós

de quem viu

a mulher morrer no parto

de quem viu

o filho nascer morto

de quem não pranteou

aos seus e nem aos amigos

que se foram assim...,

num infarto fulminante 

de quem teve

a dor negada

de quem teve

a doença negada

..., na matemática dos desamparados

 

 um caixão de madeira

uma ânfora com cinzas

              números T números

      conforme o lado

               o zero

       é 

    nada

 

..., melancólico somatório

na espiral de sobreviventes

e negacionistas desmascarados

 

: se não retorna capital

: se não retorna votos

  é inútil economizar vidas

  no vale da amargura hospitalar

.....................................................

: na raquete política

  o cidadão é a bola que quica

  até se espatifar na parede

  da inconveniência

  ..., dos inocentes

 

                                                jt.ilustrações.02.11.2020

 

Joba Tridente, um livre pensador livre. artesão de imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre – O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Joba Tridente: Verbo Sem Evolução


..., é um de maio de 2018. ..., já há alguns anos o cidadão brasileiro vem sofrendo com a grave crise sociopolítica e econômica que corrói o país de norte a sul e de leste a oeste. ..., a cada dia há menos luz no fim do túnel e menos horizonte à vista. ..., no meio da crise provocada pela arrogância e a cobiça, o cidadão comum. ..., é ano de eleições. ..., nos currais e pocilgas de todo o Brasil, os poderosos “senhores” servem a mesma lavagem aos seus acéfalos, acomodados no amém! Verbo Sem Evolução é um poema antigo, mas não parece.



... em verbo
nem tudo o que se conjuga se julga
em verbo ...


VERBO SEM EVOLUÇÃO
Joba Tridente
(da série Mordaça)

Eu sem isso.
Tu sem aquilo.
Ele na indiferença.

Eu sem teto.
Tu sem terra.
Ele no abrigo.

Eu sem sexo.
Tu sem família.
Ele no desejo.

Eu sem salário.
Tu sem comida.
Ele na dieta.

Eu sem escola.
Tu sem emprego.
Ele na fila.

Eu sem ferramenta.
Tu sem camisa.
Ele na rua.

Eu sem médico.
Tu sem remédio.
Ele no caixão.

Eu sem religião.
Tu sem.
Ele na encruzilhada.

Eu sem boca.
Tu sem olho.
Ele na escuta.

Eu sem governo.
Tu sem ordem.
Ele na arma.

... é verbo atemporal

*
ilustração de joba tridente.2018


Joba Tridente, artesão de imagens e de palavras em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Joba Tridente dialoga com TT Catalão: Discurso e Política

O escritor e jornalista TT Catalão é dono de um texto tão pertinente quanto persistente. A sua fala poético-jornalística e ou jornalístico-poética está sempre no ápice dos acontecimentos políticos, sociais, esportivos, ambientais..., no Brasil e no mundo. Seu verbo é perspicaz é irônico é perturbador e vai direto ao ponto. Dele, entre os dias 9 e 16 de agosto de 2014, publiquei I Prólogo e VII Poemas e, em 4 de julho de 2015, a sua famosa Carta Magna dos Ignorantes. Assim como interferi poeticamente no magnífico acervo do fotojornalista Marcos Santilli, publicado aqui, entre os dias 22 e 28 de junho de 2015, também comentei poeticamente as publicações de TT Catalão no G+. Alguns destes comentários, juntamente com as postagens (frases, poemas, textos, artes) originais de TT, você acompanha aqui. O oitavo questiona o discurso dos políticos.

poemarte de TT Catalão

TT Catalão - 03.8.2014


*
Joba Tridente - 03.08.2014

cerebrar o descerebrado
é um caminho suado
celebrar ideias  no fiel
é um caminho suave
..................................
não se alcança um
sem passar pelo outro
.....................................
se no caminho pesam
nos dedos os anéis
deixe os anéis
se no caminho pesam
nas mãos os dedos
deixe os dedos
.......................................
manter a cabeça a pino
não têm contraindicação




Nota: Para saber mais sobre TT Catalão, acesse I Prólogo e VII Poemas. E ou procure-o no G+.

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