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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Joba Tridente: Poemas Curtos III


POEMAS CURTOS III
joba tridente

I
da ave
o vermelho d’olho
na neve


II
sal a gosto
em pleno dezembro
derrete a neve


III
a gota a gota a gota
música d’água
enchendo a moringa

*
ilustração de joba tridente

*
links das postagens anteriores:



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cultura Zen: Sem Motivo



Há alguns anos baixei uma seleção de 175 Koans (narrativas, parábolas que propiciam a iluminação aos discípulos zen-budista) e Contos Zen, infelizmente sem a origem e ou autoria das traduções. A sutileza e o humor são incomparáveis. Destes, fiz uma seleção nada fácil de sete, que estou postando nesta semana outonal de maio.


Sem Motivo

Certo dia, três amigos passeavam e viram um homem no cume de um pequeno monte, sentado.
Curiosos sobre o que estaria o homem fazendo, foram até ele, usando a trilha na encosta. Chegando lá, o primeiro disse:
"Olá, está esperando um amigo?"
"Não..." - respondeu o outro. O segundo homem replicou:
"Então está respirando o ar puro!"
"Não..." - disse o estranho. O terceiro amigo disse:
"Já sei! Você estava passando e resolveu olhar este belo cenário."
"Não, na verdade..." - repetiu o homem. Os três amigos então exclamaram ao mesmo tempo, estupefatos:
"Mas então, o que faz aqui?!"
O homem disse com um suave sorriso:
"Apenas ESTOU aqui..."



Este Koan me lembra o seguinte Hai-Kai de Issa:


TADA OREBA ORU TOTE YUKI NO FURI NI KERI

Apenas estando aqui,
estou aqui,
e a neve cai.


*
Ilustrações de Joba Tridente; 2013


Kobayashi Issa (1763 - 1827), um dos grandes nomes do poema curto japonês. Para alguns pesquisadores, a melancolia dos seus belíssimos poemas traz resquícios de uma atribulada vida em família. Há alguns anos, quando pesquisava para uma Oficina, conheci esta pérola de Issa. Ao procurar (na web) o tradutor, encontrei na página online do Portal Caqui (dedicado ao hai-kai), um brevíssimo estudo sobre o autor, escrito pelo escritor e crítico literário Paulo Franchetti: Kobayashi Issa (link). Acredito ser dele a tradução.

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