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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Joba Tridente: Poemas Curtos III


POEMAS CURTOS III
joba tridente

I
da ave
o vermelho d’olho
na neve


II
sal a gosto
em pleno dezembro
derrete a neve


III
a gota a gota a gota
música d’água
enchendo a moringa

*
ilustração de joba tridente

*
links das postagens anteriores:



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Joba Tridente dialoga com TT Catalão: Água

O escritor e jornalista TT Catalão é dono de um texto tão pertinente quanto persistente. A sua fala poético-jornalística e ou jornalístico-poética está sempre no ápice dos acontecimentos políticos, sociais, esportivos, ambientais..., no Brasil e no mundo. Seu verbo é perspicaz é irônico é perturbador e vai direto ao ponto. Dele, entre os dias 9 e 16 de agosto de 2014, publiquei I Prólogo e VII Poemas e, em 4 de julho de 2015, a sua famosa Carta Magna dos Ignorantes. Assim como interferi poeticamente no magnífico acervo do fotojornalista Marcos Santilli, publicado aqui, entre os dias 22 e 28 de junho de 2015, também comentei poeticamente as publicações de TT Catalão no G+. Alguns destes comentários, juntamente com as postagens (frases, poemas, textos, artes) originais de TT, você acompanha aqui. O quinto desvela o descaso com o meio ambiente.

Foto: Flávio Tavares / Hoje em Dia / Agência O Globo

TT Catalão - 29.09.2014

avisem aos presidenciáveis
q nascente não se suicida
morre de morte matada
não morre por morte morrida

*
Joba Tridente - 2.10.2014

água
que não tem
cheiro
que se foi
sabor
que se esqueceu
nascente


Nota: Para saber mais sobre TT Catalão, acesse I Prólogo e VII Poemas. E ou procure-o no G+.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cultura Zen: Seguindo a Corrente

Há alguns anos encontrei na web uma seleção de 175 Koans (narrativas, parábolas que propiciam a iluminação aos discípulos zen-budista) e Contos Zen, infelizmente sem a origem e ou autoria das traduções. A sutileza e o humor são incomparáveis. Destes, fiz uma seleção nada fácil de sete, que postei em 2013. Agora selecionei mais sete. Na quarta postagem: Seguindo a Corrente.



Seguindo a Corrente

Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado. Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio.

Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta: "Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."

*
ilustração de Joba Tridente – 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Vanessa Gomsant: Líquida Vida


Líquida Vida
Vanessa Gomsant

Sem água não há nada... nem bebida nem banho. Nem plantação nem comida. Não há energia nem tecnologia, nem nada que provenha delas. Não há transporte que circule, senão a bicicleta.

Erosões repentinas e solo seco por falta de água, focos de incêndio imprevistos pelo excesso de calor. Vazamentos de gás subterrâneo e sobrecargas elétricas na superfície. Quedas de sinais e de energia. Alerta!

Já quase não há fauna nem flora... Numa biodiversidade, prevalecem a monocultura exacerbada e a pecuária para exportação. Nas ruas, uma queda incessante de árvores com copas e sem raízes. Um solo tomado pelo asfalto e os bueiros pelo lixo. Cidades impermeáveis para a água e o bom senso.

Sem água não há Arte, haverá somente a História... Uma economia que extingue a ecologia e a humanidade. Sistemas blindados que priorizam números e desprezam vidas. Importa a quantidade e resultados, sequer a qualidade e o processo. Progresso?

Enfim, rumo ao ápice do colapso... Apenas o que resta é a humanidade ter CONSCIÊNCIA e VONTADE, colocadas na prática. Consciência de que somos PARTE de um TODO social, que também tem necessidades e direitos.

Somos PARTE do Planeta, um sistema vivo, não DONOS dele. A Natureza é SOBERANA e nós, meras vidas DEPENDENTES dela. Vidas em constante dívida com o Planeta e que ainda duvida do fatos.

HUMANIDADE rima com HUMILDADE... Por que somente nas palavras?


Vanessa Gomsant é arte-educadora e educadora ambiental brasileira em constante ebulição. Faz do meio o seu ambiente e do ambiente o seu verbo e do verbo a sua arte.

*
Foto: Bruno Alberto Pancera


sábado, 22 de março de 2014

Joba Tridente: água


á g u a

aguadouro
água prata
água bronze
água ferro
água pedra
água pó
..................
eira à beira
seca a água a seca
................... à seca


*
Joba Tridente - Poema (06.12.2013)
e Ilustração (2014)

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