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domingo, 4 de dezembro de 2016

Marilia Kubota: que me perca

No próximo dia seis de dezembro, de 2016, a escritora Marilia Kubota lança em Curitiba, Brasil, o livro Diário da Vertigem. Por aqui, sigo com uma breve mostra de sua obra publicando quatro poemas desta edição. Ontem você conheceu como tudo funciona. Hoje a autora lhe diz: que me perca. Aproveitei os parágrafos para dividir a apresentação do ensaísta e tradutor Martim Palácio Gamboa em três partes.


A suspeita como um exercício de várias vertigens - I
Martim Palácio Gamboa*

“A poética de Marilia Kubota chega a ser, por momentos, de um extremo laconismo que não descarta a surpresa nem o lúdico. Parece definir-se a partir de sua forma e estrutura internas, de seus suportes léxicos; de forma que resulte pertinente ler este conjunto de textos como poemas processos, cujo alcance não é outro que eles mesmos. Falamos de uma autossuficiência que por extensão pretende abarcar (“fazer emigrar”, diria o poeta Roberto Echavarren) os níveis exteriores (históricos, sociais, filosóficos) à escritura até os territórios do traço, até a matéria prosódico-gramatical. É a configuração e uma cena que se pensa a si mesma, atenta aos deslocamentos intrínsecos que a provocam. Inclusive me atreveria a dizer que algumas categorias como as de História e Realidade ultrapassam a atuação como condicionantes do texto para serem possíveis a partir dele. Em todo caso, tais categorias se diluem na densa concentração de seu apalavramento. Ultrapassaram a condição de macrorrelatos culturais para ser tecidos de escritura. Indução e não exteriorização das partes.” Martim Palácio Gamboa*



que me perca
marilia kubota

que me perca
dentro de bibliotecas
em labirintos de letras
em lábios indo às tontas
beber fonte grotesca

que me perca
no desalinho de linhas
inventando o caminho
como astro sozinho
iluminando a floresta

que me perca
de qualquer orientação
de sentido e de razão
sem violenta emoção
atirando em toda seta

que me perca
de tua palavra correta
zanzando como pião
da multidão de caretas
saboreando este pão

*
ilustração de joba tridente.2016



Marilia Kubota (Paranaguá, 06/04/1964), é poeta, jornalista e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná. Desde 2005 orienta oficinas de criação literária. Publicou os livros de poesia Diário da vertigem (2016), micropolis (2014), Esperando as Bárbaras (2012) e Selva de Sentidos (2008). Organizou as antologias Blasfêmeas: Mulheres de Palavra (2016) e Retratos Japoneses no Brasil (2010) e está presente de 13 antologias de poesia e prosa. Participou das exposições Bienal de Artes de Curitiba (2013), Poesia Agora, no Museu da Língua Portuguesa (2014); Guenzai, na Casa de Cultura Monsenhor Celso (2015) e Olhar InComum, no Museu Oscar Niemeyer (2016).

*Martim Palácio Gamboa é poeta, ensaísta, tradutor e músico. Estudou literatura no Instituto de Professores Artigas, em Montevidéu. Livros de ensaios: Los trazos de Pandora; Otras voces, otros territorios; Breves ensayos sobre la nueva poesía brasileña contemporánea y Las estrategias de lo refractario; Poética y prática vanguardistas de Clemente Padín. Livros de poesia: Lecciones de antropofagia e Celebriedad del fauno. Organizou a antologia bilíngue Bicho de Siete Cabezas.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Cultura Zen: Apenas Duas Palavras



Há alguns anos baixei uma seleção de 175 Koans (narrativas, parábolas que propiciam a iluminação aos discípulos zen-budista) e Contos Zen, infelizmente sem a origem e ou autoria das traduções. A sutileza e o humor são incomparáveis. Destes, fiz uma seleção nada fácil de sete, que estou postando nesta semana outonal de maio.


Apenas Duas Palavras

Havia um certo Monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no Monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior.
"Passaram-se dez anos," disse o monge Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"
"Cama dura..." disse o jovem.
"Entendo..." replicou o monge Superior.
Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior.
"Passaram-se mais dez anos," disse o Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?"
"Comida ruim..." disse o monge.
"Entendo..." replicou o Superior.
Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou:
"Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?"
"Eu desisto!" disse o monge.
"Bem, eu entendo o porquê," replicou, cáustico, o monge Superior. "Tudo o que você sempre fez foi reclamar!"

(Este é um conto comum em alguns locais Soto ocidentais. Não existe certeza se é um conto Zen original. Como muitas anedotas, esta aqui nos faz rir, mas também nos encoraja a refletir sobre o quê há de engraçado nisso tudo...)


*
Ilustração de Joba Tridente: 2013

domingo, 17 de julho de 2011

Joba Tridente: Poema Concreto - Exercício Um



PRINCÍPIO   DA  PALAVRA


PRINCÍPIO  DA  PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA

PRINCÍPIO DA PALAVRA


  
exercício um. agosto.1999
poema e ilustração de Joba Tridente
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