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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Joba Tridente: Puta Sentimento Quase IX e X

PUTA SENTIMENTO QUASE Haicai ou Tanka é um mergulho sem (des)culpa, às vésperas do natal, no universo de mulheres à margem da sociedade..., um tema que venho trabalhando ultimamente. Já publiquei a série Passeio Público, que foi parar no livro 101 Poetas Paranaenses (2014). Hoje, os dois últimos poemas curtos de uma breve seleção de dez exercícios amorais para cinco postagens: IX e X.



Puta Sentimento Quase
Haicai ou Tanka
joba tridente

IX
no presépio
confiando a última moeda
a puta temente reza


X
- tia, me dá um troco?
- puta, me dá uma trepada?
- não, o natal não me comove!

à meia-noite ela divide
um panetone com os mendigos

*
ilustração de joba tridente.2015



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Joba Tridente: Puta Sentimento Quase VII e VIII

PUTA SENTIMENTO QUASE Haicai ou Tanka é um mergulho sem (des)culpa, às vésperas do natal, no universo de mulheres à margem da sociedade..., um tema que venho trabalhando ultimamente. Já publiquei a série Passeio Público, que foi parar no livro 101 Poetas Paranaenses (2014). Hoje, os poemas curtos VII e VIII, de uma breve seleção de dez exercícios amorais para cinco postagens:



Puta Sentimento Quase
Haicai ou Tanka
joba tridente

VII
belém belém belém
a um minuto do natal
a puta despe-se do cliente fortuito



VIII
a todo natal
a puta lembra dos filhos
que deixou para trás

a cada lixeira na rua
um arrepio e um suspiro

*
ilustração de joba tridente.2015



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Joba Tridente: Puta Sentimento Quase V e VI

PUTA SENTIMENTO QUASE Haicai ou Tanka é um mergulho sem (des)culpa, às vésperas do natal, no universo de mulheres à margem da sociedade..., um tema que venho trabalhando ultimamente. Já publiquei a série Passeio Público, que foi parar no livro 101 Poetas Paranaenses (2014). Hoje, os poemas curtos V e VI, de uma breve seleção de dez exercícios amorais para cinco postagens:



Puta Sentimento Quase
Haicai ou Tanka
joba tridente

V
puta que é puta
depena o pato na véspera
e recheia a carteira no natal



VI
no natal
não adianta enfeitar o ponto
os carros tomam outra direção

entre um bocejo e outro
a puta come um bombom

*
ilustração de joba tridente.2015



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Joba Tridente: Puta Sentimento Quase III e IV

PUTA SENTIMENTO QUASE Haicai ou Tanka é um mergulho sem (des)culpa, às vésperas do natal, no universo de mulheres à margem da sociedade..., um tema que venho trabalhando ultimamente. Já publiquei a série Passeio Público, que foi parar no livro 101 Poetas Paranaenses (2014). Hoje, mais dois poemas curtos, de uma breve seleção de dez exercícios amorais para cinco postagens:



Puta Sentimento Quase
Haicai ou Tanka
joba tridente


III
de tão velha
no puído vestido vermelho
vira a puta noel



IV
no ponto de todo dia
a puta veste no natal
roupa de luzinhas

pisca não pisca embaixo
pisca não pisca em cima

*
ilustração de joba tridente.2015



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Joba Tridente: Puta Sentimento Quase I e II

PUTA SENTIMENTO QUASE Haicai ou Tanka é um mergulho sem (des)culpa, às vésperas do natal, no universo de mulheres à margem da sociedade..., um tema que venho trabalhando ultimamente. Já publiquei a série Passeio Público, que foi parar no livro 101 Poetas Paranaenses (2014). Hoje, os dois primeiros poemas curtos de uma breve seleção de dez exercícios amorais para cinco postagens:



Puta Sentimento Quase
Haicai ou Tanka
joba tridente

I
na porta da puta
contorna o olho mágico
a guirlanda de natal



II
a puta dá
aos clientes assíduos
mimos especiais

lembranças únicas
em lares alheios

*
ilustração de joba tridente.2015



Joba Tridente em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura – 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

sábado, 2 de novembro de 2013

Joba Tridente: vela


vela

dia de todos os mortos
uma vela ao sereno
no caminho dos vivos
..................................
uma vela serena
o caminho dos vivos


(*)
Joba Tridente: poema (2000) e ilustração (2013)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Helena Kolody - 100 anos - 7



A primeira vez quer ouvi falar de hai-kai foi na adolescência, não tinha a menor noção da sua origem japonesa, mas gostava daqueles poemas curtos e divertidos de Millôr Fernandes (1923 - 2012). Muito tempo depois conheci as obras de Leminski (1944 - 1989), Kolody e dos grandes Mestres Japoneses.

A primeira vez que ouvi falar de tanka foi nos anos 1990, quando fiz a Direção de Arte do Jornal Nicolau (1990 - 1995), editado pelo jornalista e escritor Wilson Bueno (1949 - 2010), através da Secretaria da Cultura do Paraná. Bueno era um grande admirador de Helena Kolody. Apreciava principalmente os seus poemas curtos e entre eles os tankas, que publicou com exclusividade na edição de dezembro de 1992 do Nicolau (1987 - 1995).


Inverno (1992)

No céu de cristal
cintila o sol sem calor.
Sopra um vento frio.

Tiritam árvores nuas
nos campos que a geada veste

Em sua pesquisa: A influência da arte oriental na poesia de Helena Kolody e o ensino-aprendizagem do haicai, Antonio Donizeti da Cruz (Professor de Teoria da Literatura da Unioeste - Universidade Estadual do Oeste do Paraná) cita o seguinte depoimento de Kolody ao Jornal do Livro, em 1985: Eu sou uma poeta que não faz o poema na hora que quer. É a poesia quem quer. Ela me agita, me obriga, é uma compulsão interior (...). Às vezes o poema já vem mais ou menos pronto (...). Outras vezes é preciso suar muito (...). É uma luta terrível com as palavras. Mas há ocasião que estou em estado de poesia e os poemas vão saindo: um, dois, três poemas seguidos.


Aquarela (1993)

Sol de primavera.
Céu azul, jardim em flor.
Riso de crianças.

Na pauta de fios elétricos,
uma escala de andorinhas.



Helena Kolody tinha o seu jeito todo especial de tratar a poesia japonesa. Era mais intuitiva e menos formal que o rigoroso Wilson Bueno, que declarou em uma entrevista à escritora Marília Kubota, publicada no Jornal Memai, em novembro de 2009: (...) Acho a nossa Helena Kolody, a minha mais decisiva influência e estímulo para ir ao tanka como quem vai com gula a um pote de  mel. A saudosa Helena tem tankas lindíssimos, de uma delicadeza que era dela sua maior marca.

Mudança
(em Pequeno Tratado de Brinquedos)

minha mãe nas costas
atravessamos aldeias
mais de cem quilômetros

tanto  a levamos nos braços
que agora somos aéreos

(...) o tanka, sabemos, carrega consigo o chamado “olho” do haicai e ainda pede uma “conclusão” em dois versos finais. Sempre, claro, na rigorosa métrica que inventamos para ele, para transfigurá-lo, creio. Uma “matemática” que me seduz, - 5/7/5 (o haicai!) e 7/7 a dita “conclusão”, uma sutil “moral” da história… (...) A métrica, inventada aqui, também é um exercício de humildade - você se vê obrigado a desprezar o que julga um achado precioso porque este tal de “precioso” o poema só pode acolhê-lo se em rigorosas e calculadas sílabas poéticas… Temos que recusar, jogar literalmente no lixo o que consideramos grandes “insights”, porque não cabem no metro do poema, você me entende?

Migrantes
(em Pequeno Tratado de Brinquedos)

em cinquenta e cinco
chegamos à ferroviária
as malas e os filhos

ante o súbito pinheiro
primeiro pasmo do exílio

Estes dois tankas de Wilson Bueno, publicados em Pequeno Tratado de Brinquedos, são de uma pré-edição que me foi presenteada pelo autor no inverno de 1994. Alguns eu até ilustrei. Hora dessas posto aqui.

ilustração de Joba Tridente.2012
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