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domingo, 15 de abril de 2018

Lawrence Durrell: Seferis


Assim como abri esta homenagem ao notável GeorgeSeferis (ou: Yorgo Seferis, Giórgos Seféris, Giorgios Stylianou Seferiadis, Giorgios Seferis...), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1963, a partir do poema Seféris, a ele dedicado pelo escritor Marcílio Farias, a estou encerrando com mais duas dedicações poéticas. Ontem você leu o intenso Versos a un Poeta Griego, do ensaísta, escritor e tradutor mexicano Jaime García Terrés..., hoje conhece o emocionante Seferis (1972) do romancista britânico Lawrence Durrell, que também foi amigo do autor grego. Tomei ciência deste poema de Durrell a Seferis ao acessar o artigo Dwellers in the Greek Eye (George Seferis and Lawrence Durrell), do escritor, dramaturgo e tradutor George Thaniel (1938-1991) para Scripta Mediterranea Volumes VIII-IX, 1987-88, que você pode abaixar aqui.

Estava pronto para publicar Seferis, de Lawrence Durrell, apenas em inglês quando, por mero acaso, ao buscar dados biográficos de Durrel, me deparei com a tradução para o português do escritor e tradutor brasileiro Jorge Wanderley, no site Antonio Miranda.


                     

SEFERIS
Lawrence Durrell

Time quietly compiling us like sheaves
Turns round on day, beckons the special few,
With one bird singing somewhere in the leaves.
Someone like K. or somebody like you.
Free-falling target for the envious thrust.
So tilting into darkness go we must.

Thus the fading writer signing off
Sees in the vast perspectives of dispersal
His words float off like tiny seeds.
Wind-borne or bird-distributed notes.
To the very end of loves without rehearsal.
The stinging image riper than his deeds.

Yours must have set out like ancient
Colonists, from Delos or from Rhodes.
To dare the sun-gods, found great entrepôts.
Naples or Rio. far from man's known abodes,
To confer the quaint Grecian script on other men:
A new Greek fire ignited by your pen.

How marvellous to have done it and then left
It in the lost property office of the loving mind.
The secret whisper those who listen find.
You show us all the way the great ones went.
In silences becalmed, so well they knew
That even to die is somehow to invent.



SEFERIS
Lawrence Durrell
tradução: Jorge Wanderley

O tempo nos coleta como a feixes.
Ronda um dia, acena aos raros que vê
(Com um pássaro que em folhas se deixe).
Alguém como K. ou como você.
Alvo em queda livre para a estocada.
- Que à sombra segue nossa caminhada.

Assim o escritor que sai do ar
Vê nos horizontes da dispersão
Suas palavras, um pólen perfeito.
Notas que o vento e o pássaro carregam.
Chegando a amores sem preparação.
Imagem mais madura que seus feitos.

As tuas certamente já partiram
De Delos ou de Rhodes dominantes.
Contra os deuses do sol fundando bases,
Em Nápoles, no Rio, ou nunca dantes
Sonhadas terras, difundindo Grécia:
O novo fogo grego que ofereces.

Maravilhoso é ter leito e deixado
A "achados e perdidos" dos amantes
Este sussurro ouvido por instantes.
O caminho dos grandes vens mostrar.
Que vão silentes, calmos, pois souberam:
Mesmo o morrer confina com criar.

*
ilustração de Joba Tridente

       
Lawrence George Durrell (Jalandhar, Índia: 27.02.1912 - Sommières, França: 07.11.1990) foi romancista, poeta e dramaturgo..., cuja obra mais conhecida é Quarteto de Alexandria, é autor de romances: Pied Piper of Lovers (1935), Panic Spring (pseudonimo: Charles Norden, 1937), The Black Book (1938), The Dark Labyrinth (1947), White Eagles Over Serbia (1957), Quarteto de Alexandria: Justine (1957) e Balthazar (1958) e Mountolive (1958) e Clea (1960); The Revolt of Aphrodite: Tunc (1968) e Nunquam (1970), The Avignon Quintet (1992): Monsieur: or, The Prince of Darkness (1974) e Livia: or, Buried Alive (1978) e Constance: or, Solitary Practices (1982) e Sebastian: or, Ruling Passions (1983) e Quinx: or, The Ripper's Tale (1985); de poesia: Quaint Fragments: Poems Written between the Ages of Sixteen and Nineteen (1931), Ten Poems (1932), Transition: Poems (1934), A Private Country (1943), Cities, Plains and People (1946), On Seeming to Presume (1948), The Poetry of Lawrence Durrell (1962), Selected Poems: 1953-1963 (1964), The Ikons (1966), The Suchness of the Old Boy (1972), Collected Poems: 1931-1974 (1980), Selected Poems of Lawrence Durrell (2006); de drama: Bromo Bombastes, under the pseudonym Gaffer Peeslake (1933), Sappho: A Play in Verse (1950), An Irish Faustus: A Morality in Nine Scenes (1963), Acte (1964); de humor: Esprit de Corps (1957), Stiff Upper Lip (1958), Sauve Qui Peut (1966), Antrobus Complete (1985), além de livros de viagem, ensaios e artigos. Seu círculo de convivência e influência literária reuniam Henry Miller, Theodore Stephanides, Anaïs Nin, Alfred Perles, T. S. Eliot e George Seferis. Para saber mais sobre o polêmico e célebre autor: The Paris Review: Lawrence Durrell, The Art of Fiction No. 23; The American Reader: The Prince Returns: In Defense of Lawrence Durrell; Revista Tiempo en La Casa: Lawrence Durrell: El heraldo negro del futuro de Chipre; Antonio Miranda: Poesia Mundial em Português: Lawrence Durrell; Enciclopedia Britânica: Lawrence Durrel; Wikipedia: Lawrence Durrell; Ecured: Lawrence Durrell.

Jorge Eduardo Figueiredo de Oliveira Wanderley (Recife - PE: 21.01.1938 - 12.12.1999) foi médico, professor de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na UERJ, poeta e tradutor. O autor de Gesta e Outros Poemas (1960), Adiamentos (1974), Microantologia (1974), Coração à Parte (1979), A Foto Fatal (1986), Anjo Novo (1987), Homenagem: Dez Sonetos (1992), Manias de Agora (1995), O Agente Infiltrado e Outros Poemas (1999), traduziu: Vita Nuova/Vida Nova (1987), Lírica (1996) e Inferno (2004), de Dante Alighieri, Os 25 melhores poemas de Charles Bukowski (2003), Sonetos (1991) e Rei Lear (1992), de Shakespeare, Borges poeta (1992), Poemas, de Lawrence Durrel (1995), Cemitério marinho, de Paul Valéry (1974), organizou antologias: Antologia da nova poesia norte-americana (1992), e 22 ingleses modernos: uma antologia poética (1993) e Do jeito delas, vozes femininas de língua inglesa (2008), reunindo as autoras Sylvia Plath, Emily Dickinson, Marianne Moore, Anne Sexton, Hilda Doolittle, Louise Bogan, Elizabeth Bishop, Denise Levertov, Edna St. Vincent Millay, Edith Sitwell, Patricia Hooper e Elinor Wylie. Em 2005 recebeu o Prêmio Jabuti de Tradução (Homenagem Póstuma) por Divina Comédia - Inferno de Dante Aleguieri. Para saber mais sobre o autor e tradutor: Panorama da Palavra: Jorge Wanderley: um agente infiltrado, Alguma Poesia: Palavras soltas; talvez dor, Antonio Miranda: Jorge Wanderley.

sábado, 14 de abril de 2018

Jaime García Terrés: Versos ao Poeta Giórgos Seféris


Assim como abri esta homenagem ao notável escritor George Seféris (ou: Yorgo Seferis, Giórgos Seféris, Giorgios Stylianou Seferiadis, Giorgios Seferis...), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1963, a partir do poema Seféris, a ele dedicado pelo escritor Marcílio Farias, a estou encerrando com mais duas dedicações poéticas. Hoje você conhece Versos a un Poeta Griego, do escritor e tradutor mexicano Jaime García Terrés..., escrito antes da morte do laureado escritor, conforme afirmação de Terrés:

Nota de 1971: La reciente desaparición de Giórgos Seféris há vuelto más expresivos estos versos, que le di a conocer hace un año, y a los cuales me respondió, desde Atenas, con diez rotundas palabras en francés: Je viens de recevoir le poème.Vous avez raison. Merci. Respuesta, sin duda, suficiente. El claro señorío helénico resguardaba en Séferis la economía del lenguaje. Una tarde que le preguntaba yo sobre su actitud ante la muerte, me dijo: “La espero con ternura ...” Y eso fue todo. No obstante, llegado el momento definitivo, supo arriesgarse por la vida y la verdad de los suyos, sacrificando la soñada calma del ocaso al rescate moral de una tradición cuyo sentido más hondo le brindó siempre luz y fortaleza, J.G.T.”

O poema Versos a un Poeta Griego foi publicado tanto na excelente edição digital Giórgos Seféris - Breve Antologia - Versiones y presentación de Jaime García Terrés (2007), disponibilizada pela Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM, quanto no site da UNAM. Optei pela versão gráfica da UNAM. Infelizmente não encontrei traduções para o português e ou outra língua deste intenso poema. Amanhã você será apresentado ao segundo poema dedicado George Seferis.


                     

VERSOS A UN POETA GRIEGO
Jaime García Terrés

Amigo Seféris:
                         Hablar es difícil
cuando restallan las palabras lejos
del taller avezado; nos caemos
a cada paso de cabeza
por querer escaldar la lengua franca.

Y es particularmente difícil
hablar de Grecia hoy,
desposeídos como nos sabemos,
cetrinos como vamos
en la tosca llanura del oprobio.
Ya no duerme Proteo debajo de las rocas
ni glosa la sirena consabida
la clara fatiga del caminante.

¡Qué lento, qué difícil todo,
                                          amigo Seféris!
Y este dolor de Grecia
¡qué tozudo! Diríase
una proclama secular de duelo
por nuestra desmesura cotidiana.

Es fácil en cambio
dejarnos aturdir sin miramientos,
encoger los hombros
y guardarnos el ímpetu dentro de los bolsillos.
Nada tan inocente.
                             ¿O nada tan culpable?
Porque bien sopesadas estas cosas
andamos en apuros los unos y los otros;
caiga quien caiga de cualquier manera
nadie puede lavarse
las manos en el mar Egeo.

He pensado mucho
                              durante los últimos meses
en el sol trasvenado de Beocia,
en los asfódelos del Laurio
salpicados de plata por la brisa
y en los trabajos y los días
más frutales cuanto más amorosos
a lo largo y lo ancho de la Hélade,

pero también recuerdo la cerrazón vacía
que llegó profanando moradas y vendimias,
la turbia marcha sobre los almacigos.

¡Oh dioses idos! ¿Cómo silenciarla?
    Dormíamos; los gritos a granel
nos despertaron confundiéndose
con un ripio de sueños azarosos
y luego regresaron a la calle.
Amigo Seféris: ya nunca sabré
dónde terminó la pesadilla, dónde
comenzó lo demás; aun ahora
descabezan mi noche mortecinos clamores,
historias turbulentas de reinados efímeros
y el asalto difuso de los bárbaros
prontos a sofocar
la madrugada con sus propios puños,
con el propio sudor de sus afrentas.

He pensado mucho
en los ritos más pálidos del hombre:
ese llamar a puertas evasivas
buscando soluciones al infierno,
ese nombrar la vida
con el mismo tonillo deslustrado,
ese dejar al prójimo que cargue media cruz
prometiéndole sólo completarla,

pero también hago recuento
de viejas esperanzas, treguas, naves
encaminadas a mejores días.
Tras el duelo vendrá

la hora de la luz;
                              entonces
habrá pupilas para ver un mundo
sin ídolos de viento, sin tapujos
de sangre reseca, glorificado
por súbitos milenios de gracia general:
                                                    Será la luz helena
que cosechamos una primavera
entre cantos homéricos
y meditaciones contemporáneas
al pie de los olivos;
                               una luz
cuyo reflejo danza filtrando las memorias,
ganando manantiales al tumulto
mientras el orbe sigue su patética vía.
Chispearán los afectos
y vencerá la voz humana:
entonces nos diremos lo debido. 

*
ilustração de Joba Tridente.2018


Jaime García Terrés (Cidade do México: 15.05.1924 - 29.04.1996) foi diplomata, editor, ensaista, cronista, tradutor e poeta mexicano. Formado em Direito pela Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM (1949), estudou Estética na Universidad de Paris e Filosofia no Collège de France. Ferrés, que foi diretor do Fondo de Cultura Económica, publicou o seu primeiro livro, Panorama de la crítica en México, aos 17 anos e aos 22 exerceu o cargo de subdiretor do Instituto Nacional de Bellas Artes e coordenador da revista México en el Arte. Foi diretor de Difusão Cultural da UNAM, da Revista de la Universidad de México e de La Gaceta. Foi embaixador na Grécia, onde conheceu e se tornou amigo de Giórgos Seféris, de quem traduziu Três Poemas Escondidos (1968). Jaime García Terrés é autor de poesia: El hermano menor (1953); Correo nocturno (1954); Las provincias del aire (1956); La fuente oscura (1961); Los reinos combatientes (1962); Carne de Dios (1964); Todo lo más por decir (1971); Honores a Francisco de Terrazas (1979); Corre la voz (1980); Parte de vida (1988); Las manchas del sol (1988); de ensaios e crônicas: Panorama de la crítica literaria en México (1941); Sobre la responsabilidad del escritor (1949); Galeras - en colaboración com Carlos Fuentes (1958); La feria de los días (1961); Grecia 60: Poesía y verdad (1962); Los infiernos del pensamiento. En torno a Freud: Ideología y psicoanálisis (1967); Reloj de Atenas (1977); Poesía y alquimia: Los tres reinos de Gilberto Owen (1980); compilou as antologias Cien imágenes del mar (1962) e Letanías profanas (1980). Além de Seféris, traduziu Malcolm Lowry, Ezra Pound, T. S. Eliot, Chesterton, Jules Laforgue, Gottfried Benn, Friedrich Hölderlin, William Butler Yeats. Para conhecer mais sobre o autor e sua obra: Cultura UNAN: Jaime García Terrés: La eficacia secreta del sonido; Letras Libres: Jaime García Terrés y la cultura liberal; Proceso: Jaime García Terrés ante el toque del alba; Ersílias: Jaime García Terrés, poeta, Ciudad de México, 1924-1996; Poesía Moderna: Giógos Seféris - artigo com PDF de poemas de Giórgos Seféris traduzidos por Terrés; Wikipedia: Jaime García Terrés. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

George Seferis: Sete Haicais


O Falas ao Acaso está abrindo espaço para homenagear o escritor George Seferis¹ (ou: Yorgo Seferis, Giórgos Seféris, Giorgios Stylianou Seferiadis, Giorgios Seferis...), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1963 e cuja obra reflete as contradições da cultura e da ética de um mundo em constante ebulição, onde passado (por vezes) dourado e presente (por vezes) opaco se tangenciam e se repelem.

Entre os poemas mais emblemáticos de George Seferis, busquei aqueles que também apresentassem versões em outras línguas. Da seleção ao descarte foi um trabalho de pesquisa longo e árduo na web..., já que nem sempre encontrei as informações e ou as traduções desejadas. Mas o resultado (acredito!) compensou. O material poético, aqui publicado, além dos livros referidos, pode ser encontrado em diversos sites de estudos críticos e ou de divulgação da obra de Seferis, na internet. Os links mais relevantes acompanham também os dados biográficos do autor e dos tradutores. As publicações serão diárias e após a quinta postagem (com sete haicais), virá um bônus com dois poemas dedicados a George Seferis.

Você que já acompanhou as postagens de A Imagem do Destino e Vento Sul e O Rei de Assine e O Último Dia, hoje acompanha sete, da série de dezesseis, dos seus mais conhecidos Haicais (Haikus) ou poemas curtos presentes em seu Livro de Exercícios, de 1940. As traduções são do brasileiro Darcy Damasceno² (para Giorgos Seferis - Poemas, da Coleção Nobel, Editora Delta, 1963); do espanhol Pedro Badenas de la Peña³ (para Yorgos Seferis - Poesía Completa - Alianza Editorial, Madrid, 1986), dos franceses Xavier Borde4 e Robert Longueville5 (para a revista Poésie n.º 40, de 1987, e republicados na GONG - Revue Francophone de Haïku, avril-juin 2012, n.°35 - Association francophone de haïku) e de Edmund Keeley6 e Philip Sherrard7 (para George Seferis: Collected Poems, Princeton University Press, 1995). Uma vez que encontrei (em grego) versões de haicais com e sem títulos, optei por deixar a todos sem eles.

Nas minhas pesquisas também encontrei as traduções do português Francisco José Craveiro de Carvalho, para a revista digital Triplo V, de Portugal, e do escritor húngaro Gábor Terebess, para o site Terebess, com link para um belo site só de Haiku, que reúne mais de 2.000 poetas de todo o mundo e mais de 60.000 haikais no original e em tradução para o húngaro. 


        

Χαϊκού
Γιώργος Σεφέρης

1
Στάξε στη λίμνη
μόνο μια στάλα κρασί
και σβήνει ο ήλιος.

Lança ao lago
Uma só gota de vinho.
O sol se ensombra.

Vierte en el lago
sólo una gota de vino
 y el sol se extinguirá.

Chute dans l’étang
la moindre perle de vin ;
le soleil s’éteint.

Spill in to the lake
but a drop of wine
and the sun vanishes.


3
Άδειες καρέκλες
τ' αγάλματα γύρισαν
στ' άλλο μουσείο.

Cadeiras vazias
As estátuas voltaram
Ao outro museu.

Sillas vacías,
las estatuas volvieron
a otro museo.

Chaises désertées
les statues ont regagné
un autre musée.

Empty chairs:
the statues have gone back
to the other museum.


4
Να 'ναι η φωνή
πεθαμένων φίλων μας
ή φωνογράφος;

Será a voz
Dos amigos defuntos,
Ou a do gramofone?

¿Es la voz
de nuestros amigos muertos
o un fonógrafo?

Tiens, est-ce la voix
torturée d’amis défunts
ou un phonographe ?

Is it the voice
of our dead friends or
the phonograph?


7
Φόρεσα πάλι
τη φυλλωσιά του δέντρου
κι εσύ βελάζεις.

Já de novo vestiu-se
A folhagem da árvore
E tu a balires.

Volví a llevar
la fronda del árbol
y tú balabas.

J’ai pris de nouveau
la livrée verte de l’arbre
toi depuis tu bêles.

Again I put on
the tree’s foliage
and you - you bleat.


9
Γυμνή γυναίκα
το ρόδι που έσπασε
ήταν γεμάτο αστέρια.

Mulher nua
A romã que se partiu estava
Cheia de estrelas.

Mujer desnuda
la granada que se ha abierto
estaba llena de estrellas.

Corps de femme nue
la grenade qui s’est fendue
était pleine d’astres.

Naked woman
the pomegranate that broke
was full of stars.


12
Το δοιάκι τι έχει;
Η βάρκα γράφει κύκλους
κι ούτε ένας γλάρος!

Pois que tem o leme?
A barca descreve círculos
E nem uma gaivota.

¿Qué le pasa al timón?
La barca describe círculos
y ni una sola gaviota.

Qu’a le gouvernail
la barque décrit des ronds
et pas une mouette.

What’s wrong whit the rudder?
The boat inscribes circles
and there’s not a single gull.


16
Γράφεις
το μελάνι λιγόστεψε
η θάλασσα πληθαίνει.

Escreves
Baixou a tinta
A maré sobe.

Estás escribiendo;
la tinta ha mermado
la mar crece.

Tu écris;
l’encre s’est amenuisée
la mer croît et multiplie.

You write:
the ink grew less,
the sea increases.

*
ilustração de Joba Tridente.2018


1. Georges Seféris ou Giórgos Seferiádis (Γιώργος Σεφεριάδης) foi diplomata, escritor, ensaísta, tradutor e humanista. Nasceu em Esmirna (1900), na Turquia, e morreu em Atenas (1971), na Grécia. Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1963, Seféris é um dos mais importantes autores gregos e o responsável pela difusão do simbolismo na literatura grega. Um tema recorrente em sua obra é a estupidez bélica do homem diante do homem e do homem diante do mundo que o abriga. Há um bom material crítico e ensaios sobre o autor e sua obra na web (veja links ao final), bem como poemas para reflexivas degustações. Herdeiro literário de Kostís Palamás (1859-1943) e Konstantinos Kaváfis (1863-1933), Georges Seféris, um dos fundadores da revista Nova Letras (1935-1940), que abriu espaço para diferentes correntes de pensamento poético, é autor de poesia: Strofi (Strophe, 1931); Sterna (The Cistern, 1932); Mythistorima (Mythical narrative, 1935); Tetradio Gymnasmaton  (Book of Exercises, 1940); Imerologio Katastromatos I (Log Book I, 1940); Imerologio Katastromatos II  (Log Book II, 1944); Kichli (The Thrush, 1947); Imerologio Katastromatos III (Log Book III, 1955); Tria Kryfa Poiimata (Three Secret Poems, 1966); Tetradio Gymnasmaton II (Book of Exercises ΙΙ, 1976); prosa: Dokimes (Essays) 3 vols. (1974-1992); Antigrafes (traduções, 1965); Meres - 7 vols. (Days - diaries - 1975-1990); Exi nyxtes stin Akropoli (Six Nights on the Acropolis, 1974); Varnavas Kalostefanos. Ta sxediasmata (Varnavas Kalostefanos. The drafts, 2007); correspondência: This Dialectic of Blood and Light, George Seferis - Philip Sherrard, An Exchange: 1946-1971 (2015). Para saber mais sobre George Séferis, recomendo artigos: Center for Hellenics Studies: George Seferis and Homer’s Light; Center for Hellenics Studies: “We’re paying off a varied folktale”: Seferis' Historical Poetics; Humanities Underground: “Why are you laughing?”: George Seferis in conversation with Edmund Keeley; Persee: La figure d'Ulysse dans la poésie de Séféris; El Estado Mental: Giorgos Seferis; Triplov: Por que Georges Seféris está esquecido?; poemas: Poesia in Rete: Giorgos Seferis; Diario De A Bordo: Dondequiera que vaya, Grecia me duele. Giorgos Seferis; El Maracaibeño: “Dieciséis hai-ku” de Giorgos Seferis; A media voz: Giorgos Seferis; Material de Lectura - UNAM: Giórgos Seféris; Fausto Marcelo: Poemas de Giorgos Seferis; Trianarts: Yorgo Seferis; Yorgos Seferis: La hoja del álamo; Filohelenismo: El poeta Yorgos Seferis; Contranatura: Mithistórima y otros poemas; Poetry Foundation: George Seferis.

2. Darcy Damasceno dos Santos (Niterói, RJ: 02.08.1922 - Rio de Janeiro, RJ: 1988): tradutor, ensaísta e poeta. Licenciado em Letras, pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-RJ, foi um dos fundadores das revistas Orfeu e Ensaio, ao lado de Fausto Cunha e Afonso Félix de Sousa. Chefiou a Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional (1952-1982). Darcy Damasceno, que traduziu Paul Valéry: O Cemitério Marinho (1949) e Giorgos Seferis: Poemas (1963), entre outros, é autor de: Poemas (1946), Fábula Serena (1949);  A Vida Breve seguida de O Pajem Constante (1951); Trigésimas (1952); Jogral Caçurro e Outros Poemas (1958). Publicou também Catálogo e transcrição de Freire Alemão e Cecília Meireles, o mundo contemplado (1967). Para saber mais sobre o autor e tradutor: Portal Pravda: Darcy Damasceno, poeta, crítico e tradutor, Antonio Miranda: Darcy Damasceno.

3. Pedro Bádenas de la Peña (Madrid, 1947) é um filólogo, helenista e tradutor espanhol especializado em literatura clássica, de Bizâncio e neogrega. Presidente do National Spanish Committee for South-East European Studies Cultural Attaché of the Spanish Embassy in Athens (2004-2007), fundador e atual vice-diretor da Erytheia, revista espanhola de estudos gregos bizantinos e modernos, fundador e diretor da coleção Nueva Roma para Medieval and Humanistic Greek and Latin Texts and Studies publicados pelo Conselho Superior de Investigações Cientistas - CSIC, Pedro Bádenas de la Peña foi o primeiro a traduzir a obra completa de Yorgo Seferis para o casteliano. Premiado com o National Award of Literary Translation (1994) por Barlaam y Josafat e o Golden Cross of the Order of Honor (1997), o autor de inúmeros artigos, traduziu: C.P. Cavafis, Poesía completa (1982); Yorgos Seferis, Poesía completa (1986); C.P. Cavafis, Antología poética (1999); Barlaam y Josafat, redacción bizantina anónima (1993); Esquilo, Prometeo encadenado, in Teatro Griego (1982); Píndaro Epinicios (em colaboração com A. Bernabé, 1986); Fábulas de Esopo. Vida de Esopo (1978); Menandro. Comedias (1986), Odiseas Elitis: Canto heroico y fúnebre por el subteniente caído en Albania (1980); Yanis Ritsos. Himno y llanto por Chipre (1985). Para saber mais sobre o autor e tradutor: La UCA em Tapas: Pedro Bádenas de la Peña. Sabio como te has vuelto, ILC.CSIC: Pedro Bádenas de La Penã, ABC de Sevilla: Pedro Bádenas de la Peña: “La obra de Cavafis es de una riqueza enorme por lo que dice y cómo lo disse”, La Pasion Griega: Pedro Bádena de la Peña - Prêmio Didó Sotiríu.

4. Xavier Bordes (Les Arcs, Provence (Var): 04.07.1944) é musico, jornalista, poeta, helenista e tradutor francês. Membro do comitê de revista Po&sie, do filósofo e escritor Michel Deguy, recebeu o Prêmio Max Jacob (1999) por Comme un bruit de source: Poèmes (Gallimard, 1999), traduziu Odysseas Elytis, Epicuro, Ovídio, Seneca, Cícero, Teofrasto, Demóstenes Davvetas, Alexis D. Zakythinos, Manolis Anagnostakis. Xavier Bordes é autor de poesia: L'Argyronef (1984); Syrinx (1985); Ma Venise (1985); Alphabets (1986); La Pierre Amour, poèmes 1972-1985 (1987); Elégie de Sannois (1988); Notes pour des chasses rêvées (1988); Onze poèmes tirés d'une conque (1988); Le masque d'Or (1988); Poèmes Carrés (1988); La chambre aux Oiseaux (1989); Rêve profond réel (1991); Impérissables passements de lumière (1992); Le grand Cirque Argos (1993); Je parle d'un pays inconnu  (1995); Comme un bruit de source (1999); L’étrange clarté de nos rêves (1999); A jamais la lumière (2001); Quand le poète montre la lune..., (2003); L’Astragalizonte et autres poèmes (2016); de ensaios: Michel Four - Peintures, 1972-1987 (1987); Rougemont : impérissables passements de lumières (1992); Sur la Saison en Enfer de Rimbaud (1993); Fragments d'un Dieu-Michaux (1993), Relire Aragon (1995), Quand le poète montre la lune… suivi de Imaginer la tour Eiffel dans la brume…, Les sept soleils de poésie & La disparition des images (2002); Odysseas Elytis (2013), de artigosD'un certain Stéphane Mallarmé (Po&sie, n,º 85, 1998), de traduções: Manolis Anagnostakis: Les poèmes - 1941- 1971 (1994), de Démosthènes Davvetas: Soleil Immatériel (1989) e La Chanson de Pénélope (1989), de Odysséas Elýtis: Marie des Brumes (parceria com Robert Longueville, 1982) e Le monogramme (com Robert Longueville), Axion Esti, seguido de l'Arbre lucide et la quatorzième beauté , e do Journal d'un invisible avril (parceria com Robert Longueville, 2003), de Alexis Zakythinos: Les noyés du grand large (1989). Para saber mais sobre o tradutor e sua obra visite: Le blog de Xavier Bordes - POESIE., e também Mes publications (com vários livros digitais de sua autoria em issuu), bem como Les Hommes sans Épaules: Xavier Bordes e Recours au Poème: Xavier Bordes.

5. Robert Longueville (?), parceiro de Xavier Bordes nas traduções. Encontrei nenhuma referência na internet. Assim, se algum leitor souber algo, me informe.

6. Edmund Leroy "Mike" Keeley (Damasco, Síria: 5.02.1928) é escritor, ensaísta e tradutor especialista em poetas gregos e na história da Grécia pós-Segunda Guerra Mundial e professor emérito de inglês na Universidade de Princeton. Traduziu C.P Cavafy , George Seferis , Odysseus Elytis e Yannis Ritsos. Keeley viveu no Canadá, Grécia e Washington, DC. Se formou em 1949, pela Universidade de Princeton, e doutorou-se em literatura comparada pela Universidade de Oxford em 1952. Foi presidente da Associação de Estudos Gregos Modernos (1970 a 1973 e 1980 a 1982), e presidente do PEN American Center (1992 a 1994). Keeley já recebeu cerca de 30 cobiçados prêmios por suas obras e traduções, como: Prêmio de Roma da Academia Americana de Artes e Letras (1959), Guiness Poetry Award (1962), New Jersey Author's Award (1960, 1968, 1970), Prêmio PEN (2014). É autor, entre outros, de The Libation (1958); The Gold-hatted Lover (1961); The Imposter (1970); Voyage to a Dark Island (1972); Problems in rendering Modern Greek (1975); Cavafy's Alexandria: Study of a Myth in Progress (1976); Ritsos in Parentheses (1979); A Wilderness Called Peace (1985); The Salonika Bay Murder, Cold War Politics and the Polk Affair (1989); School for Pagan Lovers (1993); Albanian Journal, the Road to Elbasan (1997); On Translation: Reflections and Conversations (1998); Inventing Paradise: The Greek Journey, 1937-47 (1999); Some Wine for Remembrance (2002); Borderlines, A Memoir (2005); The Megabuilders of Queenston Park (2014); Requiem for Mary (2015). Para mais informações sobre ele e conhecer a sua longa bibliografia, acesse as fontes de referência: Wikipédia; Denise Harvey: Edmund Keeley; Wild River Review: Edmund Keeley.

7. Philip Owen Arnould Sherrard (Oxford, Inglaterra: 23.09.1922 - Londres, Inglaterra: 30.05.1995) foi escritor, tradutor e filósofo britânico.  Traduziu grandes nomes da literatura grega dos séculos XIX e XX. Se dedicou a temas teológicos e filosóficos, discorrendo sobre crise social e espiritual, bem como meio ambiente, por uma ótica cristã. Para saber mais sobre o escritor, obras e traduções, recomendo: Wikipédia; World Wisdom: Philip Sherrard’s life and work; Orthodox Wiki; Denise Harvey: Philip Sherrard. 

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