domingo, 15 de março de 2015

Mario de Andrade: Rito do Irmão Pequeno

Há setenta anos morreu Mario de Andrade. Talvez, seja um autor mais falado do que lido. Atropelando conceitos e ou audaciosamente lírico, Mario de Andrade sempre surpreenderá o leitor distraído. Como em mais duas postagens que farei aqui no Falas ao Acaso. Hoje, um poema de 1931: n°. 3 do "Rito do Irmão Pequeno”, uma homenagem a Manuel Bandeira. Amanhã, do livro Clan de Jabotí, publicado em 1927: Acalanto doSeringueiro. Os dois poemas encontrei em Antologia da Moderna Poesia Brasileira - Revista Acadêmica, 1939, edição da Brasiliana Digital-USP.



Rito do Irmão Pequeno
Mario de Andrade
homenagem a Manuel Bandeira

Vamos caçar cotia, irmão pequeno,
Que teremos boas horas sem razão.
Já o vento soluçou na arapuca do mato
E o arco-da-velha já engoliu as virgens.

Não falarei uma palavra e você estará mudo
Enxergando na ceva a Europa trabalhar;
E o silêncio que traz a malícia do mato,
Completará o folhiço, erguendo as abusões.

E quando a fadiga enfim nos livrar da aventura.
Irmão pequeno, estaremos tão simples, tão primários,
Que os nossos pensamentos serão vastos.
Graves e naturais, feito o rolar das águas.

*
Ilustração de Joba Tridente


Mário Raul de Moraes Andrade (1893-1945) foi escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta e um dos mais representativos e influentes autores no movimento modernista brasileiro A sua obra desconcertante ainda continua de vanguarda. Há, na web, um bocado de bom material biográfico sobre o autor. A sua bibliografia pode ser conferida na postagem anterior: O Poeta Come Amendoim.

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